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A auto-administração de qualquer quantidade de substância psicoativa pode ser definida em diferentes padrões de uso de acordo com suas possíveis conseqüências. Atualmente os especialistas utilizam duas formas diferentes de categorizar e definir esses padrões. São elas: Esses padrões acima, bem definidos por Bertolote (1997), são aceitos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e muito difundidos no linguajar de quem lida com o assunto, apesar de não possuírem correspondência nos padrões classificadores de transtornos e doenças. Este tipo de padronização não se constitui a partir de um transtorno ou doença, e está baseada na forma de uso e na relação que o indivíduo estabelece com a substância e suas conseqüências negativas. Uso experimental, uso recreativo, uso controlado e uso social de drogas ►Uso Experimental ►Uso Recreativo ► Uso Controlado ►Uso Social Uso nocivo/abuso e Dependência Podendo ser entendido como um padrão de uso onde aumenta o risco de conseqüências prejudiciais para o usuário. Na CID-10, o termo “uso nocivo” é utilizado como aquele que resulta em dano físico ou mental. Na DSM-IV, utiliza-se o termo “abuso”, definido de forma mais precisa e considerando também conseqüências sociais de um uso problemático, na ausência de compulsividade e fenômenos como tolerância e abstinência. Saiba Mais... Já a definição de uso nocivo (CID-10) baseia-se nos seguintes critérios: O uso de substâncias capazes de alterar o estado mental, conhecidas como substâncias psicoativas (SPA), ocorre há milhares de anos, seja por razões culturais ou religiosas, seja por recreação ou meio de socialização. O conceito, a percepção humana e o julgamento moral sobre o consumo de substâncias psicoativas evoluem constantemente, e muito se baseiam na relação humana com o álcool, devido ao fato de ser a droga mais difundida e de mais antigo uso. Os aspectos da questão relacionados à saúde só passaram a ser estudados e discutidos nos dois últimos séculos. No século XX, nos Estados Unidos, E.M Jellinek foi talvez o maior expoente dentre os cientistas de sua época a estudar e divulgar o alcoolismo, obtendo amplo apoio e penetração dentre os grupos de ajuda mútua, recém-formados em 1935, como os Alcoólicos Anônimos (AA) e exercendo grande influência na OMS e na Associação Médica Americana (AMA). Nos primeiros anos da década de 60, o programa de Saúde Mental da OMS tornou-se ativamente empenhado em melhorar o diagnóstico e a classificação de transtornos mentais, além de prover definições claras de termos relacionados. Convocou-se uma série de encontros para rever o conhecimento a respeito do assunto, envolvendo representantes de diferentes disciplinas, de várias escolas de pensamento em psiquiatria e de todas as partes do mundo para o programa, que estimulou e conduziu pesquisa sobre critérios para a classificação e a confiabilidade de diagnóstico, produziu e estabeleceu procedimentos para avaliação conjunta de entrevistas gravadas em vídeo e outros métodos úteis em pesquisa sobre diagnóstico. Sistemas Classificatórios Classificação Internacional de Doenças (CID) Atualmente, utiliza-se a 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que acrescenta as descrições clínicas e diretrizes diagnósticas das doenças. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) É importante ressaltar que os dois sistemas classificatórios citados, em suas versões atuais, refletem em seus critérios para as dependências os conceitos de Síndrome de Dependência do Álcool (SDA), propostos inicialmente por Edward e Gross em 1976. A SDA, por ser um diagnóstico dimensional, pode estabelecer níveis de comprometimento ao longo de um uso contínuo, entre o nunca ter experimentado até o gravemente enfermo, considerando os aspectos do grau de dependência relacionado com o grau de problemas. Os principais sintomas da SDA são: Estreitamento do repertório de beber Saliência do comportamento de busca pelo álcool Sensação subjetiva da necessidade de beber Desenvolvimento da tolerância ao álcool Sintomas repetidos de abstinência Alivio ou evitação dos sintomas de abstinência ao aumentar o consumo Reinstalação da síndrome de dependência O diagnóstico da dependência é importante na medida em que permite estabelecer o conhecimento científico e a explicação contemporânea mais aceitável para a existência da doença; comunicar-se da forma mais exata e coerente possível; prever a evolução da enfermidade; medir e comparar os resultados dos diversos recursos terapêuticos; fundamentar a indicação e avaliação da terapêutica reabilitadora. A relação de um indivíduo com SPA pode, dependendo do contexto, ser inofensiva ou apresentar poucos riscos, mas também pode assumir padrões de utilização altamente disfuncionais, implicando em prejuízos físicos, psicológicos e sociais. |