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O estresse e a ansiedade advindos da adolescência aumentam a vulnerabilidade dos adolescentes à pressão dos amigos. Se por um lado ganham autonomia em relação a seus pais, por outro adquirem uma forte aliança com seus colegas. Neste movimento, a influência do grupo e a “modelagem” isto é, a imitação de determinados comportamentos a partir de um ídolo, que em geral é o líder do grupo, tornam-se especialmente importantes. 

 

Comportamentos de risco fazem parte deste processo e vêm associados a sentimentos de grandiosidade e “onipotência juvenil”, freqüentemente acompanhados também, de negação do potencial de morte inerente a estes comportamentos que, muitas vezes, coloca os jovens em situações de maior gravidade, envolvendo o uso de substâncias. 

 

IMPORTANTE 

O adolescente baseia-se, questiona, adapta e adota os modelos de comportamento adulto que dispõe, sendo o uso de álcool, ábaco e outras drogas apenas mais um doente. 

 

1. CONSEQÜÊNCIAS DO USO DE DROGAS NO DESENVOLVIMENTO DE ADOLESCENTES
O uso de substâncias psicoativas afeta diretamente a cognição, a capacidade de julgamento, o humor e as relações inter pessoais. Estas áreas freqüentemente já se encontram comprometidas, mesmo na adolescência normal (MILLER et al., 1991). 

 

A adolescência é um período especial na formação da identidade e desenvolvimento da personalidade. O uso regular, assim como a eventual dependência de álcool e drogas nesta fase pode resultar em inconsistência ou deficiências na personalidade futura. 

 

No processo de formação da identidade, o adolescente precisa experimentar novas atividades, novas posturas sociais e novas formas de se relacionar. É o resultado destas experimentações – como ele se sente, do que ele gosta e o retorno que o meio lhe dá – que determinará se o jovem adotará ou não determinada postura, que o auxiliará na formação de sua identidade. O uso de álcool e outras drogas pode diminuir o contraste do que é bom ou ruim, distorcendo a avaliação do jovem nestas novas situações, assim como a sua avaliação do retorno da sociedade. Esta distorção dificultará na determinação do que ele (a) gosta ou não, dificultando o processo de escolhas e, conseqüentemente, atrasará desde sua escolha vocacional até seu amadurecimento emocional. 

Em muitos adolescentes e adultos dependentes de drogas foi identificado um corte no desenvolvimento, onde a maturação interrompeu-se quando se desenvolveu dependência de substâncias psicoativas.       

 

Caso a maturação seja interrompida durante o processo de individuação, a personalidade resultante pode ser excessivamente dependente de fatores externos, ao invés de internos, na determinação de comportamentos e identidade. Quanto mais cedo se inicia o consumo de substâncias, maior será a dependência de fatores externos e menor auto-estima terá o jovem. A baixa auto-estima encontrada em alguns adolescentes faz com eles se tornem mais influenciáveis pelo grupo, no eu diz a respeito ao comportamento e estilo de vida (DUPRE et al., 1995), o que poderia facilitar a progressão do consumo de substâncias psicoativas. 

 

O uso de drogas e álcool na adolescência também afeta o desenvolvimento de funções sociais e o estabelecimento de relações interpessoais. Os adolescentes dependentes de drogas e/ou álcool são freqüentemente afastados dos outros jovens da mesma faixa etária, assim como das normas existentes nas atividades rotineiras da adolescência (KANDEL e DAVIES, 1996). 

 

Estas atividades preparatórias para a vida adulta incluem: 

  • Namorar;

  • Formar laços fortes de amizade;

  • Participação em grupos e atividades que requerem o desenvolvimento de algumas habilidades sociais como cooperação e interdependência.

Os relacionamentos estabelecidos pelos adolescentes dependentes são, muitas vezes, baseados no consumo de drogas e/ou álcool. Alguns adolescentes utilizam álcool e as drogas inicialmente para recreação e acabam por não desenvolver outras formas de divertimento ou de descontração. Uma parte deles terá dificuldades em manter relacionamentos afetivos sem o uso destas substâncias. Dificultando ainda mais o estabelecimento de laços mais fortes de relacionamento. 

 

IMPORTANTE 

O medo do abandono é uma característica freqüente entre os adolescentes usuários de drogas: eles têm receio de fazer vínculos e, posteriormente, que estas pessoas importantes os deixem, mas as drogas nunca os abandonam.    

 

2. TRATAMENTO 
O adolescente é um individuo em desenvolvimento, o que implica no reconhecimento de características únicas desta faixa etária que serão de grande importância por ocasião do desenvolvimento do tratamento para esta população. 

 

Os adolescentes são forçados a se adaptarem a estes programas pré-existentes. Quando é solicitado aos adolescentes que fiquem abstinentes de álcool e drogas no início do tratamento, eles encontram dificuldades porque não conseguem, e muitas vezes não sabem, preencher seu tempo com atividades não relacionadas às drogas. 

 

Diferentemente dos adultos, que já haviam desenvolvido seus papéis na sociedade antes da disfunção causada pelo uso indevido de drogas e/ou álcool, o adolescente e pré-adolescente sabe, instintiva e logicamente, que não pode retornar aos seus 8 ou 10 anos de idade – situação anterior à experimentação destas substâncias. 

 

É indiscutível a necessidade de programas de tratamento especialmente desenvolvidos para faixas etárias mais jovens, uma vez que as necessidades desta população são diferentes das dos adultos.

 

Os jovens parecem estar mais preocupados com fatos presentes como vida familiar, na escola ou com os amigos do que com possíveis comprometimentos físicos ou psíquicos que as drogas possam vir acarretar.

 

A análise dos fatores de risco para o uso de drogas na adolescência e seus desempenhos insatisfatórios nas áreas de desenvolvimento psicológico, habilidades sociais, funcionamento familiar, desempenho escolar/acadêmico e a habilidade encontrar e se engajar em atividades sociais, aponta para a necessidade de se abordar estas deficiências como parte um tratamento mais abrangente.

 

No passado, o abuso de drogas e álcool era visto como o principal problema causador de qualquer outra disfunção que o adolescente apresentasse. Atingindo a abstinência, todos os outros problemas estariam resolvidos, ainda que pouca atenção direta e específica tivesse sido dada a estas questões. Progressivamente, os objetivos no tratamento destes adolescentes incluem a mudança global no estilo de vida, desde a abstinência de qualquer substância psicoativa, desenvolvimento de atitudes, valores e comportamentos sociabilizantes, até o desenvolvimento de aptidões direcionadas a uma melhora das relações interpessoais e do desempenho acadêmico e vocacional.

 

Uma das principais tarefas no tratamento de adolescentes dependentes de drogas é a de ajudá-los a atingir a abstinência.

 

Porém, a abstinência não é o objetivo final – que é retomada do desenvolvimento normal do adolescente. A obtenção da abstinência pode ser vista como uma porta ou ponte para a recuperação. Isto requer que o adolescente faça uma reformulação em sua identidade, de alguém que precisa de alguma droga para se divertir, aliviar o desânimo ou superar medos e problemas, para uma pessoa que consiga se divertir com a vida e superar suas dificuldades sem precisar de drogas. Em muitos casos, os adolescentes encontram nas drogas a identidade que buscam neste período da vida.

 

Não é possível cobrar do adolescente a abstinência que, para ele, significa abrir mão da única identidade que possui no momento, sem oferecer outra forma de identificação, deixando-o sem identidade. A dificuldade é que esta identidade é completamente nova. Ela não pode ser relembrada, mas deve ser construída. Não se trata de reabilitação, mas sim de habilitação.