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Dependência

     A dependência, ou no linguajar científico, síndrome da dependência, é um conceito que está em processo de evolução, ou seja, tem mudado ao longo do tempo em função das novas descobertas científicas e das transformações culturais e éticas por que passa nossa sociedade.

     Alcoolismo
     O termo alcoolismo foi proposto pelo médico sueco Magnus Huss em 1849, sendo a primeira definição do problema como uma doença. Esse autor descreveu o alcoolismo como uma intoxicação crônica que causava várias complicações de saúde.

     Nos últimos anos o termo alcoolismo foi substituído pela expressão Síndrome de Dependência do Álcool (SDA) proposta por Edward & Gross em 1976. A grande mudança foi atribuir níveis gradativos para o avanço da dependência, eliminando a característica de “tudo ou nada”. A dependência passou a ser vista como um processo gradativo de comprometimento social e de saúde provocado pelo uso da droga e não somente uma situação caracterizada pela perda de controle do consumo de drogas.

      Vício, Doença e Síndrome
     Apesar desta mudança, a substituição da visão moral “vício” para a de saúde “doença” ou “síndrome”, ainda se presenciam preconceitos na utilização deste conceito. Mesmo com todo conhecimento científico acumulado neste século, ainda prevalece a idéia de que o que se afasta da norma tende a ser considerado uma doença.

     Como dá para saber se um adolescente desenvolveu uma relação de dependência com alguma droga?

     Para ser feito este diagnóstico é necessário que o jovem passe por uma entrevista com um médico psiquiatra ou outro profissional de saúde especializado no tratamento dos problemas decorrentes do uso de drogas. Nesta conversa não será somente perguntado ao jovem que drogas ele costuma usar e em qual freqüência. É muito importante saber que prejuízos este uso tem trazido para os vários aspectos da vida do jovem. Como anda o relacionamento com a família, o desempenho na escola, os comprometimentos de saúde, os problemas com a lei e o grau de importância que o uso da droga assumi com relação às outras atividades normalmente de interesse do jovem, como a prática esportiva, o estar com os amigos, estudar e buscar desenvolver-se. Quanto mais importante é o uso de drogas na vida do jovem e maiores são os prejuízos causados por esse uso, mais grave é sua síndrome de dependência.

     É importante que o jovem que usa drogas fique atento a estes sinais, pois é uma forma dele perceber se está ficando dependente de alguma droga. Quanto mais cedo ele perceber isso e mudar seu comportamento abandonando o uso de drogas, melhor. Menos prejuízos ele vai permitir que ocorram na sua vida e ficará mais fácil para ele reconstruir suas relações sociais, sua auto-estima e seu equilíbrio emocional.


     SAIBA TAMBÉM

     Os principais sinais e sintomas da Síndrome de Dependência ao Álcool - SDA são os seguintes:

     Estreitamento do repertório de beber: As situações em que o sujeito bebe se tornam mais comuns, com menos variações em termos de escolha da companhia, dos horários, do local ou dos motivos para beber, ficando ele cada vez mais estereotipado à medida que a dependência avança;

     Saliência do comportamento de busca pelo álcool: O sujeito passa gradualmente a planejar seu dia-a-dia em função da bebida, como vai obtê-la, onde vai consumi-la e como vai recuperar-se, deixando as demais atividades em plano secundário;

     Sensação subjetiva da necessidade de beber: O sujeito percebe que perdeu o controle, que sente um desejo praticamente incontrolável e compulsivo de beber;

     Desenvolvimento da tolerância ao álcool: Por razões biológicas, o organismo do indivíduo suporta quantidades cada vez maiores de álcool ou a mesma quantidade não produz mais os mesmos efeitos que no início do consumo;

     Sintomas repetidos de abstinência: Em paralelo com o desenvolvimento da tolerância, o sujeito passa a apresentar sintomas desagradáveis ao diminuir ou interromper a sua dose habitual. Surgem ansiedade e alterações de humor, tremores, taquicardia, enjôos, suor excessivo e até convulsões, com risco de morte;

     Alivio ou evitação dos sintomas de abstinência ao aumentar o consumo: Nem sempre o sujeito admite, mas um questionamento detalhado mostrará que está tolerante ao álcool e só não desenvolve os descritos sintomas na abstinência, porque não reduz ou até aumenta gradualmente seu consumo, retardando muitas vezes o diagnóstico;

     Reinstalação da síndrome de dependência: O padrão antigo de consumo pode se restabelecer rapidamente, mesmo após um longo período de não-uso.

     FONTE: A evolução sócio-cultural do conceito de dependência, Ana Regina Noto e Maria Lúcia Oliveira Souza Formigoni

     Para o diagnóstico da dependência o profissional vai analisar suas respostas e ver se você apresenta pelo menos três das características abaixo:

     Ingestão e forte desejo ou compulsão para consumir a substância;

     Dificuldade de controlar o uso (tentativas malsucedidas de diminuir ou interromper o uso);

     Síndrome de abstinência (sintomas relacionados a diminuição ou suspensão do consumo);

     Necessidade de aumentar a dose da substância para obter os mesmos efeitos antes obtidos com doses menores (tolerância);

     Abandono progressivo de interesses alternativos, que não o uso da substância;

     Persistência no uso, mesmo diante de conseqüências nocivas claras.



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