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Drogas A a Z

Anfetaminas, Anticolinérgicos e Álcool

ANFETAMINAS

Definição
A anfetamina é uma droga sintética de efeito estimulante da atividade mental. A denominação “anfetaminas” é atribuída a todo um grupo de substâncias como: fenproporex, metilfenidato, manzidol, metanfetamina e dietilpropiona. Todas essas são comercializadas sob a forma de medicamento. Um outro tipo de anfetamina, bem conhecido, porém de uso ilícito, logo, não encontrado em farmácias, é a metilenodioximetanfetamina (MDMA), conhecida por “êxtase”.

O uso clínico mais comum dessa categoria de substâncias é como moderador de apetite. Esse uso é aconselhado apenas em casos de obesidade mórbida, por se tratar de uma substância que provoca dependência, dado este, pouco conhecido pelos pacientes. Outro uso clínico comum é em pacientes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

As anfetaminas também são conhecidas como “Rebite” pelos motoristas que precisam dirigir várias horas seguidas sem descansar, sendo ingeridas, neste caso pelo seu efeito de inibição do sono. Já entre os estudantes, é conhecida por “bola”, e é também utilizada para inibição de sono com objetivo de passar a noite inteira estudando.

As anfetaminas possuem diferentes formas de uso – via oral, por comprimido ou solução, fumada e por via injetável.

Mecanismo de Ação
A ação da anfetamina é estimulante, provocando aceleração do funcionamento mental, por meio do aumento da liberação e tempo de atuação de dopamina e noradrenalina no cérebro.  

A dopamina é o nerotransmissor que se relaciona à dependência, proporcionando sensação de prazer. Além disso, está relacionada ao comportamento motor fino, cognição/percepção, controle hormonal e sistema neurovegetativo, este último relacionado a comportamentos motivacionais, de desejo, como fome, sede e sexo. Já a noradrenalina é relacionada ao controle de humor, motivação, cognição/percepção, comportamento motor fino e manutenção da pressão arterial.

O efeito do aumento desses neurotransmissores no cérebro é uma alteração nas funções de raciocínio, emoções, visão e audição, provocando sensação de satisfação e euforia. Essa alteração provoca prejuízo cognitivo relacionado à atenção, planejamento e tomada de decisões. Quando administrada pela via injetável, tem início de ação bem rápido. Já pela via oral, tem um início de ação lento, porém dura de oito a dez horas.

Efeitos no Organismo
A pessoa sob o efeito de anfetamina tem insônia, perde o apetite, fica eufórica (cheia de energia) e com uma fala acelerada. Além disso, apresenta sensação de poder, irritabilidade, prejuízo do julgamento, suor e calafrios. A pupila dilata-se, efeito chamado midríase, sendo prejudicial e perigoso para os motoristas que a consomem, pois ficam com o olho mais sensível aos faróis dos carros.  

A circulação sanguínea é prejudicada pela contração das artérias, outro efeito da substância, reduzindo oxigenação e transporte de nutrientes importantes. A pressão arterial é elevada e há aumento da frequência de batimentos cardíacos (taquicardia), podendo gerar infarto agudo do miocárdio ou arritmias cardíacas, sendo ambos potencialmente letais.

No cérebro podem ocorrer acidentes vasculares (derrames) e isquemias (prejuízo na circulação sanguínea em pequenas áreas), acarretando como consequência, neste último caso, diminuição da atenção, concentração e memória. Convulsões é outro efeito do uso de anfetamina pela elevação da temperatura do corpo.

A redução da sensação de fadiga ocasionada pela anfetamina pode ser prejudicial, já que ao disfarçar o cansaço provoca um esforço excessivo para o corpo. Porém, quando o efeito da droga passa, o usuário sente uma grande falta de energia e depressão, não conseguindo realizar nem as tarefas que fazia anteriormente ao uso.

Consequências Negativas
Por ser uma droga que provoca dependência, o usuário tem que consumir maiores quantidades de comprimidos para obter os mesmos efeitos (tolerância). Quando o uso de anfetamina é crônico, a dose tem que ser aumentada, não só pela tolerância, mas para evitar sintomas de abstinência como aumento de apetite, cansaço e sonolência.   

É comum que pessoas que utilizam anfetamina com o objetivo de perder peso, voltem a engordar quando interrompem o seu uso. Assim, sua indicação é mais adequada a pacientes com obesidade mórbida (pessoas muito obesas). Apesar disso, grande parte dos usuários de anfetaminas são mulheres e muitas delas sofrem de dismorfia corporal, ou seja, têm uma visão distorcida do seu corpo. O uso indevido e prolongado pode provocar alterações psíquicas, lesões cerebrais e aumenta do risco de convulsões e overdose.

Quando é consumida em quantidade excessiva, todos os efeitos no organismo são agravados e surgem outros como agressividade e temperamento irritadiço. Além disso, o usuário passa a suspeitar de que outros estão tramando contra ele, ficando num estado de alerta exagerado conhecido como delírio persecutório.

Dependendo da sensibilidade do indivíduo ele pode entrar num verdadeiro estado de paranóia, conhecida como psicose anfetamínica. A sensibilização do indivíduo pode ocorrer por um uso crônico, fazendo com que esses efeitos negativos já apareçam em baixas doses da droga. Há pesquisas em animais de laboratório que comprovam a degeneração celular no cérebro, provocando lesões irreversíveis pelo uso abusivo do psicotrópico.

Consumo no Brasil
O Brasil é um dos maiores consumidores de medicamentos anfetamínicos e a maior parte dos usuários são mulheres que os utilizam para o emagrecimento. Os anfetamínicos encontrados em farmácias no Brasil, obtidos a partir do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas, estão apresentados na tabela abaixo.



ANTICOLINÉRGICOS

Definição
São plantas e substâncias sintéticas que possuem em comum uma série de efeitos no corpo humano, alterando funções psíquicas. Entre as plantas temos as popularmente conhecidas como Saia Branca, Lírio, Trombeta, Trombeteira, Zabumba, Cartucho, Estramônio, entre outras.

São plantas do gênero Datura e que produzem duas substâncias a atropina e a escopolamina, que são as responsáveis pelos efeitos. Entre as substâncias sintéticas existem aquelas com o mesmo tipo de efeitos que as substâncias naturais (atropina e escopolamina) e estão presentes em medicamentos, além de colírios e outros. Esses medicamentos têm utilidade terapêutica no tratamento da Síndrome de Parkinson e como antiespasmódico.

Histórico
Foram usados durante a Segunda Guerra Mundial por organismos militares, que viram neles um "soro da verdade", pois sob seu efeito a pessoa sente-se como que embriagada e facilmente sugestionável.

Em 1866, um médico da Bahia descreve o seguinte quadro em dois escravos:

Fui chamado a visitar estes doentes no dia seguinte às 8 horas da manhã. Já podiam caminhar, mas estavam ainda trôpegos e hallucinados, vendo objetos himaginários, phantasmas, ratos a passear pela camara etc., de que procuravam fugir dirigindo-se para a porta. Ambos tinham as pupilas dilatadas... a boca e faces nada oferecem de notável... Na panela que servia para vazer o cosimento estavam dous ramos com muitas folhas e algumas flores rudimentares, de uma planta que conheci ser trombeteira (Datura arborea, Lin).

Em 1984, um jovem advogado de São Paulo narrou sua experiência após ingerir chá de saia-branca:

Os sintomas iniciam-se cerca de 10 minutos mais tarde com queixas de não enxergar direito, vendo tudo embaraçado e fora de foco. As pupilas estão totalmente dilatadas. Seguem-se alucinações terrificantes, visão de animais e plantas ameaçadoras, cadáveres de índios, pessoas etc. Algumas horas mais tarde relata que perdeu o pulso e engoliu a língua sendo levado para o pronto socorro. 

Ainda em uma manhã de 1989, um menino de rua com as pupilas muito dilatadas descreveu o que sentia após tomar 10 comprimidos de Artane® (medicamento à base de triexafenidila, utilizado para mal de Parkinson, mas usado como droga de abuso devido as suas propriedades em produzir alucinações):

Via elefante correndo pela rua e rato saindo do buraco, se olhava para o céu via estrelas de dia. Tava tudo embaçado e dava medo, mas era também bonito. 
Conforme as descrições acima, tanto o chá da planta como o medicamento Artane® foram capazes de produzir dilatação das pupilas (midríase) e alterações mentais do tipo percepção sem objetivo (ver ratos, índios e estrelas quando esses objetos não existiam), isto é, alucinações.

O que existe de comum entre a planta trombeteira ou lírio e o medicamento Artane® que produz efeitos físicos e psíquicos semelhantes é que duas substâncias (atropina e/ou escopolamina) sintetizadas pela planta e o princípio ativo (triexafenidil) do medicamento produzem um efeito no organismo que a medicina chama de efeito anticolinérgico. E sabe-se que todas as drogas anticolinérgicas são capazes de, em doses elevadas, além dos efeitos no corpo, alterarem as funções psíquicas.

Mecanismos de Ação
Os anticolinérgicos, tanto de origem vegetal como os sintetizados em laboratório, atuam principalmente produzindo delírios e alucinações. São comuns as descrições pelas pessoas intoxicadas de se sentirem perseguidas, de verem pessoas e bichos etc. Esses delírios e alucinações dependem bastante da personalidade do indivíduo e de sua condição, assim, nas descrições de usuários dessas drogas, encontram-se relatos de visões de santos, animais, estrelas, fantasmas, entre outras imagens. 

Os efeitos são bastante intensos, podendo demorar de dois a três dias. Apesar disso, o uso de medicamentos anticolinérgicos (com controle médico) é muito eficaz no tratamento de várias doenças, como Síndrome de Parkinson e diarréia.

Efeitos no organismo
As drogas anticolinérgicas são capazes de produzir muitos efeitos periféricos além dos provocados no sistema nervoso central. Assim, as pupilas ficam muito dilatadas, a boca seca e o coração pode disparar. Os intestinos ficam paralisados – tanto que eles são usados medicamente como antidiarréicos – e a bexiga fica “preguiçosa” ou há retenção de urina. 

Consequências Negativas
Os anticolinérgicos podem produzir, em doses elevadas, grande elevação da temperatura, que chega às vezes até 40 ou 41ºC. Nesses casos, felizmente não muito comuns, a pessoa apresenta-se com a pele muito seca e quente, com vermelhidão principalmente no rosto e no pescoço.  

A temperatura elevada pode provocar convulsões (“ataques”) e são bastante perigosas. Também existem pessoas que descrevem ter “engolido a língua” e quase se sufocarem por causa disso. Ainda, em casos de dosagens elevadas, o número de batimentos do coração sobe exageradamente, podendo ultrapassar 150 batimentos por minuto.

Consumo no Brasil
O abuso dessas substâncias é relativamente comum no Brasil.

Essas drogas não desenvolvem tolerância no organismo e não há descrição de síndrome de abstinência, ou seja, quando a pessoa pára de usar abruptamente essas substâncias, não apresenta reações desagradáveis.


 

ÁLCOOL

Definição
O álcool presente nas bebidas alcoólicas é o etanol, produzido pela fermentação ou destilação de vegetais - como a cana-de-açúcar e também de frutas e grãos. No Brasil, há uma grande diversidade de bebidas alcoólicas, cada tipo com quantidade diferente de álcool em sua composição. 

É uma substância depressora do Sistema nervoso central, obtida a partir da fermentação ou destilação de cereais, raízes e frutas. O álcool, principalmente por ser uma substância lícita, está presente em quase todas as culturas e participa do cotidiano e de vários rituais da humanidade. 

Histórico
Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 anos a.C., sendo, portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros casos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do hábito de beber, ao longo do tempo.  

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como, o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas em sua forma destilada. Nessa época, esse tipo de bebida passou a ser considerado um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alívio eficiente da dor”, surgindo, então, a palavra uísque (do gálico usquebaugh, que significa “água da vida”).

A partir da Revolução Industrial, registrou-se grande aumento na oferta desse tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, consequentemente, gerando aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema decorrente do uso excessivo de álcool.

Mecanismo de Ação         
Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos motivos pelos quais ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas. Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema.

Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, frequência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Dessa forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando custos para a sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.

Efeitos no Organismo

A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora. Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes, como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). Com o passar do tempo, começam a surgir os efeitos depressores, como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma. 

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada a outra que não está acostumada a beber. Outro exemplo está relacionado à estrutura física: a pessoa com estrutura física de grande porte terá maior resistência aos efeitos do álcool.

O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face, dor de cabeça e mal-estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, têm maior probabilidade de sentir esses efeitos.

Consequências Negativas

Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais frequentes são as relacionadas ao fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são frequentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite) e do sistema cardiovascular (hipertensão e problemas cardíacos). Há, ainda, casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e cãibras nos membros inferiores.

Consumo no Brasil

Levantamento realizado em 2007 investigou os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira. O estudo foi realizado em 143 municípios do País e detectou que 52% dos brasileiros acima de 18 anos faz uso de bebida alcoólica pelo menos uma vez ao ano. Do conjunto dos homens adultos, 11% bebem todos os dias e 28 % de 1 a 4 vezes por semana.

Quanto à intensidade do consumo de bebidas alcoólicas, 24% da população bebe frequentemente e pesado (pelo menos uma vez por semana, 5 ou mais doses) e 29% são bebedores pouco frequentes e não fazem uso pesado.  

►Álcool e Trânsito

A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes é provocada por motoristas que haviam bebido antes de dirigir.

►Alcoolismo

Como já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência, condição conhecida como alcoolismo. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são variados, envolvendo aspectos de origem biológica, psicológica e sociocultural. A dependência do álcool é condição frequente, atingindo cerca de 10% da população adulta brasileira.

A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns sinais da dependência do álcool são: desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos; aumento da importância do álcool na vida da pessoa; percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle em relação a quando parar; síndrome de abstinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado algumas horas sem beber) e aumento da ingestão de álcool para aliviar essa síndrome.

A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas, após um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6 a 8 horas após a parada da ingestão de álcool, sendo caracterizada por tremor das mãos, acompanhado de distúrbios gastrintestinais, distúrbios do sono e estado de inquietação geral (abstinência leve).

Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem para a síndrome de abstinência grave ou delirium tremens que, além da acentuação dos sinais e sintomas anteriormente referidos, se caracteriza por tremores generalizados, agitação intensa e desorientação no tempo e no espaço.

►Durante a Gravidez

O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer consequências para o recém-nascido, e, quanto maior o consumo, maior o risco de prejudicar o feto. Dessa forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação, como também durante todo o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno.

Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo dessa droga durante a gravidez, é afetado pela “síndrome fetal pelo álcool”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência). As crianças gravemente afetadas, e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.

Esse uso de bebida alcoólica ocorre há pelo menos oito mil anos. Sempre se teve conhecimento dos seus possíveis malefícios e, periodicamente, o álcool sofria restrições ao seu uso, desde o início do Cristianismo. Contudo, foi somente em 1966 que a Associação Médica Americana (AMA) passou a considerar o alcoolismo como doença e em 1988 que incluiu as dependências de outras drogas como condições médicas passíveis de tratamento.

O americano Benjamin Rush, cientista do século XIX, considerava que o “beber começa como um ato de liberdade caminha para o hábito e afunda na necessidade”. Já Thomas Trotte, da Grã-Bretanha, afirmava que “a embriaguez é uma doença da mente”. O sueco Magnus Huss, em 1849, foi o primeiro a introduzir o conceito de “alcoolismo crônico” como doença, descrevendo suas complicações físicas.

Calmantes e Sedativos, Cocaína, Cogumelos e plantas alucinógenas

CALMANTES E SEDATIVOS

Definição
Sedativo é o nome que se dá aos medicamentos capazes de diminuir a atividade do cérebro, principalmente quando este fica em estado de excitação acima do normal. O termo sedativo é sinônimo de calmante ou sedante.

Quando um sedativo é capaz de diminuir a dor, recebe o nome de analgésico. Já quando o sedativo é capaz de afastar a insônia, produzindo o sono, é chamado de hipnótico ou sonífero. E quando um calmante tem o poder de atuar mais sobre estados exagerados de ansiedade, é denominado de ansiolítico. Finalmente, existem algumas dessas drogas capazes de acalmar o cérebro hiperexcitado dos epilépticos. São as drogas antiepilépticas, capazes de prevenir as convulsões.

As principais substâncias calmantes pertencem ao grupo dos barbitúricos. Mas existem também outras substâncias como os brometos e plantas como a valeriana e o maracujá. Os barbitúricos eram largamente utilizados como drogas sedativas até meados deste século, quando foram sendo gradualmente substituídos pelos benzodiazepínicos. Atualmente, são pouco utilizados como sedativos propriamente ditos.

São tomados via oral, quando apresentado na forma de comprimidos, cápsulas ou xaropes, ou ainda são usados por injeção intramuscular ou intravenosa, quando apresentados em forma de ampolas. As formas injetáveis são de uso restrito hospitalar.

Histórico
Os barbitúricos foram descobertos em 1864 pelo pesquisador belga Adolf von Baeyer. Aparentemente o químico europeu batizou a substância em homenagem a Sta. Bárbara. Há outra versão desta história relatando que após a descoberta o pesquisador foi comemorar em um bar e, lá se encantou com uma garçonete, linda moça que se chamava Bárbara. Em um acesso de entusiasmo, o cientista resolveu dar ao composto recém-descoberto o nome de barbitúrico.

Em 1903 é lançado o primeiro medicamento barbitúrico com o nome comercial de Veronal. Esta síntese foi realizada pelos cientistas alemães Emil Hermann Fischer e Joseph von Mering.

Em 1912 é lançado o fenobarbital com o nome comercial de Luminal, como sedativo-hipnótico.

►No Brasil
Os barbitúricos eram usados de maneira até irresponsável no Brasil. Vários medicamentos para dor de cabeça, além da aspirina, continham também um barbitúrico qualquer.

O uso abusivo que se registrou – muita gente usando grandes quantidades, repetidamente – de medicamentos, levou os laboratórios farmacêuticos a modificarem suas fórmulas, retirando os barbitúricos de sua composição.

Hoje em dia existem apenas alguns produtos, usados como sedativos-hipnóticos, que ainda apresentam o barbitúrico butabarbital. Por outro lado, o fenobarbital é bastante usado no Brasil (e no mundo), pois é um ótimo remédio para os epilépticos. Finalmente, um outro barbitúrico, o tiopental, é usado por via endovenosa, por anestesistas, em cirurgias.

A legislação brasileira exige que todos os medicamentos que contenham barbitúricos em suas fórmulas sejam vendidos nas farmácias somente com a receita do médico, para posterior controle pelas autoridades sanitárias.

Mecanismo de ação
O mecanismo de ação dos barbitúricos é semelhante ao dos Benzodiazepínicos, atuam aumentando a atividade do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico – GABA, que induz a inibição do Sistema Nervoso Central (SNC), causando a sedação.

Possuem, portanto, ação depressora do SNC, levando a diminuição do metabolismo cerebral, do consumo de oxigênio, do fluxo sanguíneo cerebral, com consequente diminuição da pressão intracraniana, efeito benéfico em determinadas situações clínicas.

Os barbitúricos são metabolizados no fígado, promovendo a indução enzimática, levando a tolerância e interferindo com a ação de outras drogas que dependem do sistema microssomal para a sua metabolização.

Efeitos no organismo
Os barbitúricos são capazes de deprimir várias áreas do cérebro; como consequência, as pessoas podem ficar mais sonolentas, sentindo-se menos tensas, com sensação de calma e relaxamento. As capacidades de raciocínio e de concentração ficam também afetadas.

Com doses um pouco maiores que as recomendadas pelos médicos, a pessoa começa a sentir-se como que embriagada (sensação mais ou menos semelhante à de tomar bebidas alcoólicas em excesso), a fala fica “pastosa” e a pessoa pode sentir-se com dificuldade de andar direito.

Consequências Negativas
Essas substâncias são perigosas porque a dose que começa a intoxicar está próxima da que produz os efeitos terapêuticos desejáveis. Com essas doses tóxicas, começam a surgir sinais de incoordenação motora, um estado de inconsciência começa a tomar conta da pessoa, ela passa a ter dificuldade para se movimentar, o sono fica muito pesado e, por fim, pode entrar em estado de coma. A pessoa não responde a nada, a pressão do sangue fica muito baixa e a respiração é tão lenta que pode parar. A morte ocorre exatamente por parada respiratória.

É muito importante saber que esses efeitos tóxicos ficam muito mais intensos se ela ingerir álcool ou outras drogas sedativas. Às vezes, intoxicação séria pode ocorrer por esse motivo.

Uso na gravidez
Outro aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos refere-se ao uso dessas substâncias por mulheres grávidas. Essas drogas têm potencial teratogênico (capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez), além de provocarem sinais de abstinência (como dificuldades respiratórias, irritabilidade, distúrbios do sono e dificuldade de alimentação) em recém-nascidos de mães que fizeram uso durante a gravidez.

Dependência e tolerância
Existem muitas evidências de que os barbitúricos levam as pessoas a um estado de dependência; com o tempo, a dose tem também de ser aumentada, ou seja, há desenvolvimento de tolerância. Esses fenômenos se desenvolvem com maior rapidez quando doses grandes são usadas desde o início. 
Quando a pessoa está dependente dos barbitúricos e deixa de tomá-los, passa a ter a síndrome de abstinência, cujos sintomas vão desde insônia rebelde, irritação, agressividade, delírios, ansiedade, angústia, até convulsões generalizadas. A síndrome de abstinência requer obrigatoriamente tratamento médico e hospitalização, pois há risco de a pessoa vir a falecer.

Consumo no Brasil
Segundo o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – revelou que a estimativa de uso sem receita médica de Barbitúricos é de menos de 1%, sendo citados produtos, tais como: Gardenal®, Pentotal® e Comital®.



COCAÍNA

Definição
A cocaína é uma substância psico-estimulante extraída das folhas de uma planta originária da América do Sul, popularmente chamada coca (Erythroxylon coca). A cocaína pode ser consumida de diferentes formas. Pode ser aspirada sob forma de um sal, o cloridrato de cocaína, popularmente conhecido como “pó”, “farinha”, “neve” ou “branquinha”. Este sal é solúvel em água podendo ser consumido pela via intravenosa (“pelos canos”, “baque”).

A cocaína também pode ser encontrada sob a forma de base, conhecida como crack e merla (mela, mel ou melado), que por serem pouco solúveis em água, mas se volatilizarem quando aquecidas, são fumadas em “cachimbos” ou cigarros de tabaco ou maconha.

Há ainda a pasta de coca, um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de extração de cocaína das folhas da planta quando tratadas com álcali (solvente orgânico como querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico. Essa pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros chamados “basukos”.

A planta da coca também pode ser usada sob a forma de chá, legal em alguns países da América do Sul, como Peru e Bolívia. Sob a forma de chá, pouca cocaína é extraída da folha, e, após sua ingestão por via oral a substância é metabolizada no organismo, processo que destrói boa parte da cocaína antes de chegar ao cérebro.

Histórico
Era conhecida como a “planta divina dos Incas”, as mais antigas folhas de coca foram descobertas na região do Peru em 2500 – 1800 a.C. Ao chegar a esta região, no século XVI, os espanhóis entraram em contato com os índios, que costumavam mascar folhas de coca no dia a dia.  

A partir do século XIX, na Europa, a droga teve seu uso difundido como um energético indicado para o tratamento de depressão, fadiga, neurastenia e dependência de derivados do ópio. A cocaína passou a ser vendida sob várias formas, nas farmácias, como medicação, além de ser encontrada em bares, na forma de vinho e refrigerante.

Até 1903, a Coca-Cola era um xarope de coca. Nessa época, os fabricantes, preocupados com o risco de dependência, retiraram a cocaína da fórmula, substituindo-a por cafeína. Em 1914, a venda e o uso de cocaína foram proibidos. O consumo quase desapareceu, retornando a partir da década de 60.

Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação da cocaína no Sistema Nervoso Central é aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação dos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina, os quais são atuantes no cérebro.  

A dopamina é o nerotransmissor que se relaciona à dependência, visto que é este responsável pela sensação de prazer associada ao consumo da droga, bem como a outros comportamentos naturalmente gratificantes como comer, fazer sexo e saciar a sede. Além disso, está relacionada ao comportamento motor fino (atividades que demandam maior precisão e coordenação motora, como escrever) cognição/percepção e controle hormonal.

A noradrenalina e a serotonina se relacionam a algumas funções comuns: controle de humor, motivação e cognição/percepção. A noradrenalina se relaciona a mais duas funções, o comportamento motor fino e a manutenção da pressão arterial.

A cocaína é uma droga de efeito rápido e duração breve. Na forma de crack ou merla, essa droga é fumada, utilizando a via pulmonar. Pelo pulmão ser um órgão intensivamente vascularizado e com grande superfície para absorção, a droga chega rapidamente ao cérebro. Em dez a 15 segundos os primeiros efeitos já são percebidos e duram em torno de cinco minutos, enquanto se consumida sob a forma de pó, o efeito após cheirar surgem após dez a 15 minutos, e após injeção, em três a cinco minutos.

Efeitos no Organismo
Os principais efeitos desencadeados pela cocaína são: sensação intensa de euforia e poder, estado de excitação, hiperatividade, insônia, falta de apetite,  perda da sensação de cansaço, dilatação de pupilas e aumento da temperatura corporal.

No caso do consumo pela via nasal, observa-se ressecamento das narinas gerada pela contração das artérias que irrigam a cavidade nasal. Quando o uso é crônico, há um prejuízo na irrigação sanguínea nasal, a qual pode culminar em necrose dessa área, que por sua vez pode resultar no desenvolvimento de ulcerações ou perfurações do septo nasal, parede cartilaginosa que separa as narinas.Esse psicotrópico também produz efeitos cardiovasculares, que são os principais responsáveis por sua letalidade. A pressão arterial pode aumentar e o coração bater mais rápido, chegando a produzir parada cardíaca. Esses efeitos são: taquicardia, hipertensão e palpitações. A morte pelo consumo excessivo da droga também pode ocorrer devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração.

O apetite é outro fator que sofre influência do uso de cocaína, que é um potente inibidor de apetite. Quando o usuário é crônico, há uma significativa perda de peso. Em um mês, pode chegar a dez quilogramas a menos. Outros efeitos relacionados à perda de apetite são desnutrição, fraqueza e cansaço físico.

O crack e a merla podem produzir aumento das pupilas (midríase), que prejudica a visão; é a chamada “visão borrada”. Ainda podem provocar dor no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. O uso crônico da cocaína pode levar a degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, conhecida como rabdomiólise.

►Consumo simultâneo de bebidas alcoólicas e cocaína
Consumir cocaína juntamente com bebidas alcoólicas produz consequências mais graves do que o uso destas substâncias separadamente. Ingerir o álcool aumenta a “fissura” (vontade incontrolável de sentir o prazer que a droga provoca) pela cocaína, os riscos de episódios de perda de controle e intoxicação mais grave.

►Cocaetileno
Quando se consome a cocaína juntamente com bebidas alcoólicas, fenômeno frequentemente observado entre usuários de cocaína, o fígado combina as duas drogas e produz uma terceira substância, denominada cocaetileno, que intensifica os efeitos euforizantes da droga, mas é extremamente prejudicial ao organismo e aumenta os riscos de morte súbita.

 Consequências Negativas
O consumo da cocaína, em grande parte dos usuários, aumenta progressivamente, sendo necessário consumir maiores quantidades da substância para se atingir o efeito desejado. Este fenômeno caracteriza o desenvolvimento de um tipo de tolerância à droga, mas de natureza diversa da tolerância observada no uso de álcool e opiódes. 

No caso do crack e da merla, por terem um efeito de curtíssima duração, provocam um uso repetido numa mesma ocasião, sendo mais frequente que o uso por outras vias de administração. Esse comportamento compulsivo leva o usuário à dependência muito mais rápido que as outras formas de uso de cocaína, e, consequentemente, a um custo monetário, de saúde e social muito maiores. A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome popular de “fissura”. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis, como cansaço e intensa depressão.

A tendência do usuário de cocaína é aumentar a dose da droga na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (chamada entre eles de “nóia”). Esse efeito provoca um grande medo nos usuários, que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios. A esse conjunto de sintomas dá-se o nome de “psicose cocaínica”.

A libido, também, pode ser afetada entre alguns usuários de cocaína, segundo um estudo do Cebrid, realizado com um grupo de usuários de crack, 60 indivíduos, e outro de cloridrato de cocaína, 42 indivíduos, totalizando 102 participantes. A partir dessa pesquisa percebeu-se que os usuários de cloridrato de cocaína não apresentaram perda de libido. Já os usuários de crack apresentaram uma redução do apetite sexual: 72% das mulheres e 66% dos homens.  

Os dependentes de cocaína desenvolvem uma sensibilização a alguns efeitos, ou seja, ocorre o inverso da tolerância, e com uma dose pequena os efeitos já surgem. Porém, para angústia dos usuários, esses efeitos sensibilizados são os considerados desagradáveis, como a paranóia e outros efeitos indesejáveis, como agressividade e desconfiança.

Não há descrição convincente de uma síndrome de abstinência quando o usuário pára de usar cocaína abruptamente: não sente dores pelo corpo, cólicas ou náuseas. O efeito que se observa é uma grande “fissura”, desejar usar novamente a droga para sentir seus efeitos agradáveis, e não para diminuir ou abolir o sofrimento relacionado à abstinência de algumas drogas.

Comportamentos de risco estão associados aos usuários de cocaína. Inicialmente, se tinha a idéia de que os usuários da droga injetável estavam mais expostos ao risco de contrair doenças como hepatite, malária, dengue e Aids, pelo compartilhamento de seringa. Porém, o uso da droga por outras vias também gera comportamentos de risco como a prática de sexo desprotegido (sem camisinha), a qual expõe ao contágio pelas doenças citadas, além de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Um exemplo são algumas mulheres dependentes da cocaína, as quais se prostituem para obter a droga, geralmente sob o efeito da “fissura” o que as faz perder a noção de perigo, não se protegendo nas relações sexuais.

Consumo no Brasil
O II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – revelou que o uso de cocaína na vida foi relatado por 2,9% da população (5,4% dos homens e 1,2% das mulheres), no último ano por 0,7% e no último mês por 0,4%.

Em 2013, foram divulgados os resultados da I Pesquisa Nacional Sobre o Crack. De modo geral, os dados indicaram o número estimado de usuários de Crack no Brasil é de 566.598 pessoas, o que corresponde a 0,81% da população Brasileira. Além disso, os resultados também apontaram que pouco mais de 70% estão na faoxa etária de 18 a 34 anos; 78% são homens; 79% são não-brancos; 76% possuem apenas o Ensino.



COGUMELOS E PLANTAS ALUCINÓGENAS

Definição
A palavra alucinação significa, em linguagem médica, percepção sem objeto, isto é, a pessoa em processo de alucinação percebe coisas sem que elas existam. Assim, quando um indivíduo ouve sons imaginários ou vê objetos que não existem, ele está tendo uma alucinação auditiva ou uma alucinação visual.

As alucinações podem aparecer espontaneamente no ser humano em casos de psicoses, e entre estas a mais comum é a doença mental chamada esquizofrenia. Também podem ocorrer em pessoas normais (que não apresentam doença mental) que tomam determinadas substâncias ou drogas alucinógenas. Essas drogas são também chamadas de psicoticomiméticas por “imitar” um dos mais evidentes sintomas das psicoses – as alucinações.  

A alucinação e o delírio nada têm de aumento da atividade ou da capacidade mental, pelo contrário, são aberrações, perturbações do perfeito funcionamento do cérebro, tanto que são características das chamadas psicoses.

Histórico
Alguns autores também as chamam de psicodélicas. A palavra psicodélica vem do grego (psico = mente e delos = expansão) e é utilizada quando a pessoa apresenta alucinações e delírios em certas doenças mentais ou por ação de drogas. Essas alterações não significam expansão da mente. 

Um grande número de drogas alucinógenas vem da natureza, principalmente de plantas. Estas foram “descobertas” por seres ancestrais que, ao sentir seus efeitos mentais, passaram a considerá-las “plantas divinas”, isto é, que faziam com que quem as ingerisse recebesse mensagens divinas, dos deuses. Assim, até hoje em culturas indígenas de vários países o uso dessas plantas alucinógenas tem esse significado religioso.

Mecanismos de Ação
Os efeitos são muito maleáveis, pois dependem de várias condições, como sensibilidade e personalidade do indivíduo, expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos, ambiente, presença de outras pessoas etc., como a bebida do Santo Daime.  

As reações psíquicas são ricas e variáveis. Às vezes, são agradáveis (“boa viagem”) e a pessoa se sente recompensada pelos sons incomuns, cores brilhantes e pelas alucinações. Em outras ocasiões, os fenômenos mentais são de natureza desagradável, visões terrificantes, sensações de deformação do próprio corpo, certeza de morte iminente etc. São as “más viagens”.

Tanto as “boas” como as “más” viagens podem ser conduzidas pelo ambiente, pelas preocupações anteriores (o usuário frequente sabe quando não está de “cabeça boa” para tomar o alucinógeno) ou por outra pessoa. Esse é o papel do “guia” ou “sacerdote” nos vários rituais religiosos folclóricos, que, no ambiente do templo, os cânticos etc., são capazes de conduzir os efeitos mentais para o fim desejado.

Efeitos no organismo
Os sintomas físicos são pouco salientes, pois são alucinógenos primários. Podem ocorrer dilatação das pupilas, sudorese excessiva, taquicardia, náuseas e vômitos, estes últimos mais comuns com a bebida do Santo Daime.  

Com o progresso da ciência, várias substâncias foram sintetizadas em laboratório e, dessa maneira, além dos alucinógenos naturais, hoje em dia têm importância também os alucinógenos sintéticos, dos quais o LSD é o mais representativo.
 
Alguns dos alucinógenos agem em doses muito pequenas, atingindo o cérebro e, portanto, quase não alteram nenhuma outra função do corpo: são os alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários. O THC (tetraidrocanabiol) da maconha, por exemplo, é um alucinógeno primário. Mas existem outras drogas que também são capazes de atuar no cérebro, produzindo efeitos mentais, mas somente em doses que afetam de maneira importante várias outras funções: são os alucinógenos secundários. Entre estes últimos, podemos citar uma planta, a Datura, conhecida no Brasil sob vários nomes populares e sob o nome comercial Artane® (sintético).

Consequências Negativas
Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente não há desenvolvimento de tolerância, também usualmente não induzem dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar do uso. Um dos problemas preocupantes em relação ao consumo desses alucinógenos é a possibilidade de a pessoa desenvolver delírios persecutórios, de grandeza ou acessos de pânico e, em virtude disso, tomar atitudes prejudiciais a si e aos outros.

Consumo no Brasil
No Brasil, principalmente em decorrência de sua imensa riqueza natural, existem várias plantas alucinógenas. As mais conhecidas são apresentadas a seguir:   

Cogumelos:
O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já eram utilizados pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o “cogumelo sagrado” é usado por alguns pajés. Essa planta recebe o nome científico de Psilocybe mexicana e dela pode ser extraída uma substância de poder alucinógeno: a psilocibina. No Brasil são encontradas pelo menos duas espécies de cogumelos alucinógenos, uma delas é o Psilocybe cubensis e a espécie do gênero Paneoulus.
 Jurema:
O vinho de jurema, preparado à base da planta brasileira Mimosa hostilis e chamado popularmente de jurema, é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos desse vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé, por ocasião da passagem de ano, por exemplo. A jurema sintetiza uma potente substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos.
 Mescal ou Peyot:
Trata-se de um cacto, também utilizado desde tempos remotos, na América Central, em rituais religiosos, que reproduz a substância alucinógena mescalina. Não existe no Brasil.
 Caapi e chacrona:
São duas plantas alucinógenas utilizadas conjuntamente sob a forma de uma bebida, ingerida no ritual do Santo Daime, culto da união vegetal e de várias outras seitas. Esse ritual está bastante difundido no Brasil (existe nos Estados do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro etc.), e seu uso na sociedade brasileira teve origem entre os índios da América do Sul.

No Peru, a bebida preparada com as duas plantas é chamada pelos índios quéchas de Ayahuasca, que quer dizer “vinho da vida”. As alucinações produzidas pela bebida são chamadas de mirações, e os guias dessa religião procuram “conduzi-las” para dimensões espirituais da vida. Uma das substâncias sintetizadas pelas plantas é a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos.


Esteróides Anabolizantes, Extase

ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

Definição
Os esteróides anabolizantes, também conhecidos como anabolizantes, esteróides anabolizantes androgênicos ou bombas – são substitutos sintéticos do hormônio masculino testosterona fabricado pelos testículos. Os anabolizantes promovem dois efeitos:

►o anabólico -  leva ao crescimento da musculatura
►o androgênico -  leva ao desenvolvimento das características sexuais masculinas, tais como barba, pêlos, voz grossa. 

 Os anabolizantes possuem vários usos clínicos, nos quais sua função principal é a reposição da testosterona nos casos em que, por algum motivo de doença, tenha ocorrido um déficit.

 A propriedade dessas drogas de aumentar os músculos tem feito com que atletas ou pessoas que querem melhorar o desempenho e a aparência física utilizem anabolizantes sem necessidade médica,. Esse uso estético não é médico, portanto é ilegal e ainda acarreta problemas à saúde. 
Os anabolizantes podem ser tomados na forma de comprimidos ou injeções. Seu uso ilícito é iniciado com uma dose menor, aumentada com o tempo, levando os indivíduos a utilizar centenas de doses a mais do que aquela normalmente recomendada em caso de deficiência de testosterona. Essa prática é denominada de pirâmide.

Frequentemente, os usuários combinam diferentes esteróides, supondo que a interação de vários anabolizantes produziria um aumento maior da musculatura. Outra forma de uso dessas drogas é tomá-las durante ciclos de 6 a 12 semanas ou mais e, depois, parar por um tempo semelhante e começar novamente. Esse tempo sem droga, acredita o usuário, garantirá ao sistema hormonal recuperar-se, no entanto esta crença é um engano.

Alguns usuários chegam a utilizar produtos veterinários, à base de esteróides, sobre os quais não se tem nenhuma idéia dos riscos do uso em humanos.

Histórico
O primeiro uso não médico dos esteróides anabolizantes foi feito por soldados alemães na II Guerra Mundial, com o intuito de aumentar a agressividade. Os anos 50 marcaram o início do uso entre atletas competitivos, mas só nos anos 70, houve um aumento progressivo do uso dessas substâncias entre atletas competitivos e o início do uso entre atletas recreativos, inclusive entre as mulheres.  

Em 1975 os anabolizantes foram inclusos na lista de drogas consideradas "doping" pelo Comitê Olímpico Internacional. O ano de 1988 foi um marco histórico dessa questão, quando o velocista canadense Ben Johnson perdeu sua medalha Olímpica em Seul - capital da Coréia do Sul, devido ao uso de esteróides.

Mecanismo de Ação
As ações biológicas dos androgênios são classificadas de acordo com os sítios (órgãos e sistemas do corpo humano) em que estes interagem. Assim, efeitos androgênicos estão relacionados com o aparelho reprodutor e caracteres sexuais secundários, enquanto a atuação sobre outros tecidos, como o muscular, refere-se a efeitos anabólicos. Logo, a diversidade das respostas observadas é determinada pelos órgãos onde se processa a atividade hormonal, a partir do mecanismo de ação molecular proposto para esses compostos. 

Consequência Negativas
Alguns dos principais efeitos do abuso dos esteróides anabolizantes são: nervosismo, irritação, agressividade, problemas hepáticos, acne grave (em geral ocorre nas costas e no peito, ocasionando um problema estético sério), problemas sexuais e cardiovasculares, aumento do HDL (forma boa do colesterol), diminuição da imunidade. 
 
Efeitos
• Homens e adolescentes: redução da produção de esperma, impotência, dificuldade ou dor em urinar, calvície e crescimento irreversível das mamas (ginecomastia).
• Mulheres e adolescentes: aparecimento de sinais masculinos como engrossamento da voz, crescimento excessivo de pêlos no corpo, perda de cabelo, diminuição dos seios, pêlos faciais (barba).
• Em pré-adolescentes e adolescentes de ambos os sexos: finaliza, prematuramente, o crescimento deixando-os com estatura baixa para o resto de suas vidas.
• Em homens e mulheres de qualquer idade: aparecimento de tumores (câncer) no fígado, perturbação da coagulação do sangue, alteração no colesterol, hipertensão, ataque cardíaco, acne, oleosidade do cabelo e aumento de agressividade que pode manifestar-se em brigas.
 
►Uso abusivo
A variação de humor, incluindo irritabilidade e nervosismo provocados pelo abuso de anabolizantes, pode chegar à agressividade e à raiva incontroláveis. Os usuários podem experimentar ainda, um ciúme doentio, ilusões, podendo apresentar distorção de juízo em relação a sentimentos de invencibilidade, distração, confusão mental e esquecimentos.  

Podem desenvolver também distorção de julgamento do próprio corpo (dismorfia corporal), tendo a falsa sensação de que estão com a musculatura pouco desenvolvida.

Usuários, frequentemente, tornam-se clinicamente deprimidos quando param de tomar a droga, até porque perdem a massa muscular que adquiriram; um sintoma que pode contribuir para a dependência. A dependência pode ser percebida no usuário que continua tomando anabolizantes mesmo depois de ter tido consequências causadas pela droga como problemas físicos, nervosismo, irritabilidade, efeitos negativos com suas relações pessoais. Além disso, gastam grande quantidade de dinheiro e tempo para obter a droga e quando deixam de usá-las, apresentam uma série de sintomas desagradáveis.

►Comportamento de Risco
Atletas, treinadores físicos e mesmo médicos relatam que os anabolizantes aumentam significantemente massa muscular, força e resistência. Apesar dessas afirmações, até o momento, não existe nenhum estudo científico comprovando que essas drogas melhoram a capacidade cardiovascular, a agilidade, a destreza ou o desempenho físico.

Além disso, usuários que injetam esteróides anabolizantes com técnicas inadequadas e não estéreis (livre de contaminação), ou dividem agulhas contaminadas com outros usuários, correm o risco de contrair infecções como HIV, hepatite B e C. Há ainda, o problema com preparações ilegais dessas drogas, as quais são elaboradas em condições não estéreis colocando em risco os que as utilizam.

Consumo no Brasil
No Brasil, o consumidor preferencial está entre 18 e 34 anos de idade e, em geral, é do sexo masculino.  

De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid/Unifesp, revelou que menos de 1% dos entrevistados já fez uso de esteróides. Desses a grande maioria é de homens na faixa etária de 18 – 24 e de 25 – 34 anos (Tabela 41).

Embora não sejam substâncias psicotrópicas, estão representadas neste estudo pelos relatos informais de seu grande uso pelos jovens, sobretudo em academias de ginástica. No comércio brasileiro, os principais medicamentos à base dessas drogas e utilizados com fins ilícitos são: Winstrol®, Androxon®, Durateston®, Deca-Durabolin®. Porém, além destes, existem dezenas de outros produtos que entram ilegalmente no País e são vendidos em academias e farmácias.



EXTASE

Definição
A MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina), comumente chamado de êxtase, é uma droga sintética, ilegal e com potencial de gerar dependência. Quimicamente similar ao estimulante metanfetamina e ao alucinógeno mescalina, a MDMA possui propriedades estimulantes e alucinogênicas, embora muito menos intensa quando comparada à maioria das drogas alucinógenas..

O êxtase é mais comercializado na forma de comprimido, podendo ainda ser encontrado na forma de cápsula ou em pó. Diversos outros nomes populares também vêm sendo utilizados, como MDMA, A, E, I X, XTC, ADAM, pílula do amor, bala, etc.

Uma questão que merece atenção é a pureza e a composição dos comprimidos. Ao longo dos anos, o êxtase teve acrescida a sua composição uma série de substâncias. Um comprimido dessa droga pode conter quantidades variáveis de MDMA, além de poder incluir outras substâncias, como MDA, MDEA, metanfetamina, anfetamina, cafeína, efedrina e LSD.

O uso recreativo da droga geralmente é feito com um ou dois comprimidos, em doses que variam de 75 a 150mg, podendo haver doses subsequentes horas após o uso. Seus efeitos podem durar até 8 horas.

Histórico
A MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina) foi sintetizada em 1912 e patenteada em 1914, na Alemanha, pela empresa farmacêutica Merck. O propósito dessa síntese era o de desenvolver um medicamento para diminuir o apetite, no entanto, em função de sua baixa utilidade clínica, os estudos com essa substância foram abandonados.

Ao fim da década de 1970, a utilidade clínica da MDMA voltou a ser discutida, agora como um possível auxiliar do processo psicoterapêutico. Alguns psiquiatras e psicólogos acreditavam que a substância deixava a pessoa mais solta, promovendo assim uma melhor comunicação e vínculo terapeuta–paciente.

Paralelamente, começou a crescer nos Estados Unidos o uso recreativo da droga, chamada agora de êxtase, principalmente entre jovens universitários. Temendo o surgimento de uma nova “era psicodélica” no país, os Estados Unidos decidiram, em 1985, incluir a MDMA na lista das substâncias proibidas. Essa medida logo foi seguida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a qual passou a considerar a MDMA como droga de restrição internacional.

No fim dos anos 80, surgiu em Ibiza, na Espanha, a cena musical e cultural que deu origem à cultura clubber ou dance. Associado a este novo conceito musical, o êxtase começou a ser difundido na Europa, crescendo ao longo da década de 1990, com a popularização da música eletrônica e da cultura clubber.

No Brasil, no início dos anos 90 começaram a chegar as primeiras remessas consideráveis de êxtase vindas da Europa. A partir daí, tem crescido o número de usuários, bem como a importância dada pelos meios de comunicação ao assunto.

Mecanismo de Ação
Logo após a ingestão, a MDMA distribui-se amplamente pelo organismo, chegando ao cérebro. Sua metabolização é realizada principalmente no fígado, e sua eliminação ocorre através da urina, sendo concluída após aproximadamente dois dias.

A MDMA atua no cérebro intensificando a atividade de, pelo menos, três neurotransmissores - serotonina, noradrenalina e dopamina - por meio do aumento de sua disponibilidade no axônio terminal (membrana pré-sináptica do neurônio).

A serotonina é um neurotransmissor que atua na regulação de humor, sono, dor, apetite e outros comportamentos. A intensificação da atividade da serotonina causa a elevação do humor descrita por alguns usuários de êxtase, explica também os efeitos negativos sentidos nos dias seguintes ao uso do êxtase, pois o cérebro fica como que esvaziado de serotonina, em função de sua liberação excessiva durante o efeito da droga.

Efeitos no organismo
A droga apresenta efeitos semelhantes aos estimulantes do sistema nervoso central (agitação), bem como efeitos perturbadores (mudança da percepção da realidade). Seus efeitos mais marcantes são a sensação de melhora nas relações entre as pessoas, o desejo de se comunicar, melhora na percepção musical e aumento da percepção das cores.  

À semelhança de outras drogas psicotrópicas, os efeitos do êxtase dependem do local e do que ocorre no momento do uso. O ambiente mais comum para o consumo é o de clubes noturnos e raves, cujo cenário é enriquecido com jogos de luzes e música eletrônica. Além disso, a MDMA faz com que as pessoas consigam se perceber melhor e a gostar mais de si mesmas.

O êxtase causa, também, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, aceleração do batimento cardíaco, aumento da temperatura do corpo (hipertermia), rangido de dentes e aumento na secreção do hormônio antidiurético.

Efeitos residuais:
Efeitos residuais são aqueles que perduram dias após o uso de uma droga. Muitos usuários relatam ter um episódio depressivo nos dias seguintes ao uso do êxtase, o que é chamada de depressão de meio de semana. Fadiga e insônia também são comuns. 

Consequências Negativas
O uso de êxtase é geralmente seguido de um grande esforço físico, devido a uma prática vigorosa da dança. Essa associação (esforço físico e êxtase) tende a aumentar consideravelmente a temperatura, que pode atingir mais de 42ºC e, inclusive, ser mortal.

Uma das complicações mais curiosas, no entanto, é a da intoxicação por água. Com o aumento da temperatura, a ingestão de água torna-se uma necessidade. Mas, quando isso acontece de forma excessiva, a água pode começar a se acumular no organismo, uma vez que o êxtase também dificulta a eliminação dos líquidos do corpo (aumenta a liberação do hormônio antidiurético). Dessa forma, a ingestão excessiva de água pode se tornar perigosa, inclusive fatal.

O êxtase também pode causar disfunção do sistema imunológico, sendo esse quadro agravado quando há associação dessa substância com o álcool. Há também um curioso, porém significativo, ranger de dentes que pode ocorrer nos usuários da MDMA. Esse quadro é mais acentuado nos dentes posteriores e pode inclusive persistir após o uso da droga.

As pessoas que usam o êxtase com frequência podem começar a apresentar problemas no fígado, como diminuição da capacidade de funcionamento do fígado e ficar com a pele amarelada (icterícia). Problemas cognitivos (aprendizagem, memória, atenção) podem surgir com o uso repetido por período prolongado.

O êxtase também pode desencadear problemas psiquiátricos, como quadros esquizofreniformes (formas de loucura), pânico (estados de alerta intenso, com medo e agitação) e depressão. Esses problemas têm maior ou menor probabilidade de ocorrer, dependendo das características da pessoa, do momento de sua vida, da frequência e do contexto de uso.

LSD

Definição
Perturbadores ou alucinógenos sintéticos são substâncias fabricadas (sintetizadas) em laboratório, não sendo, portanto, de origem natural, e que são capazes de provocar alucinações no ser humano. Vale a pena recordar um pouco o significado de alucinação: “é uma percepção sem objeto”. Isso significa que, mesmo sem ter um estímulo, a pessoa pode sentir, ver, ouvir. Como exemplo, se uma pessoa ouve uma sirene tocando e há mesmo uma sirene perto, ela está normal, agora, se ela ouve a sirene e não existe nenhuma tocando, então está alucinando ou tendo uma alucinação auditiva.

Da mesma maneira, sob a ação de uma droga alucinógena, ela pode ver um animal na sala (por exemplo, um elefante) sem que, logicamente, exista o elefante, ou seja, a pessoa tem uma alucinação visual.       

O LSD (abreviação de dietilamina do ácido lisérgico) é, talvez, a mais potente droga alucinógena existente. É utilizado habitualmente por via oral, embora possa ser misturado ocasionalmente com tabaco e fumado. Alguns microgramas são suficientes para produzir alucinações no ser humano.

Histórico
O efeito alucinógeno do LSD foi descoberto em 1943, pelo cientista suíço Hoffman, ao aspirar, por acaso pequeníssima quantidade de pó por descuido em seu laboratório. Ele descreveu:  

Os objetos e o aspecto dos meus colegas de laboratório pareciam sofrer mudanças ópticas. Não conseguindo me concentrar em meu trabalho, num estado de sonambolismo, fui para casa, onde uma vontade irresistível de me deitar apoderou-se de mim. Fechei as cortinas do quarto e imediatamente caí em um estado mental peculiar, semelhante à embriaguez, mas caracterizado por imaginação exagerada. Com os olhos fechados, figuras fantásticas de extraordinária plasticidade e coloração surgiram diante de meus olhos.

Seu relato detalhado das experiências alucinatórias levou a uma intensa pesquisa dessa classe de substâncias, culminando, nas décadas de 1950 e 1960, com seu uso psiquiátrico, embora com resultados pouco satisfatórios. 

Mecanismos de Ação         
O LSD atua produzindo uma série de distorções no funcionamento do cérebro, trazendo como consequência uma variada gama de alterações psíquicas. 

A experiência subjetiva com o LSD e outros alucinógenos depende da personalidade do usuário, de suas expectativas quanto ao uso da droga e do ambiente onde é ingerida. Enquanto alguns indivíduos experimentam um estado de excitação e atividade, outros se tornam quietos e passivos. Sentimentos de euforia e excitação (“boa viagem”) alternam-se com episódios de depressão, ilusões assustadoras e sensação de pânico (“má viagem”). 

O LSD é capaz de produzir distorções na percepção do ambiente – cores, formas e contornos alterados –, além de sinestesias, ou seja, estímulos olfativos e táteis parecem visíveis e cores podem ser ouvidas. Outro aspecto que caracteriza a ação do LSD no cérebro refere-se aos delírios. Estes são o que chamamos “falsos juízos da realidade”, isto é, há uma realidade, mas a pessoa delirante não é capaz de avaliá-la corretamente. Os delírios causados pelo LSD geralmente são de natureza persecutória ou de grandiosidade.

Efeitos no organismo
O LSD tem poucos efeitos sobre outras partes do corpo. Logo de início, 10 a 20 minutos após tomá-lo, o pulso pode ficar mais rápido, as pupilas podem ficar dilatadas, além de ocorrer sudoração, e a pessoa pode sentir-se com certa excitação. Muito raramente, têm sido descritos casos de convulsão. Mesmo doses muito altas de LSD não chegam a intoxicar seriamente uma pessoa, do ponto de vista físico.

O perigo do LSD não está tanto em sua toxicidade para o organismo, mas sim no fato de que, pela perturbação psíquica, há perda da habilidade de perceber e avaliar situações comuns de perigo. Isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa com delírio de grandiosidade se julga com capacidades ou forças extraordinárias, sendo capaz de, por exemplo, voar, atirando-se de janelas; com força mental suficiente para parar um carro em uma estrada, ficando na sua frente; andar sobre as águas, avançando mar a dentro. 

Há também descrições de casos de comportamento violento, gerado principalmente por delírios persecutórios, como no caso de o usuário atacar dois amigos (ou até pessoas estranhas) por julgar que ambos estão tramando contra ele.

Ainda no campo dos efeitos tóxicos, há também descrições de pessoas que, após tomarem o LSD, passaram a apresentar por longos períodos de intensa ansiedade, depressão ou mesmo acessos psicóticos. O “flashback” é uma variante desse efeito a longo prazo: semanas ou até meses após uma experiência com LSD, a pessoa repentinamente passa a ter todos os sintomas psíquicos daquela experiência anterior, sem ter tomado de novo a droga.

O “flashback” é geralmente uma vivência psíquica muito dolorosa, pois a pessoa não estava procurando ou esperando ter aqueles sintomas, e assim eles acabam por aparecer em momentos bastante impróprios, sem que ela saiba por que, podendo até pensar que está ficando louca.

Consequências Negativas
O fenômeno da tolerância desenvolve-se muito rapidamente com o LSD, mas também há desaparecimento rápido com a interrupção do uso. O LSD não leva usualmente a estados de dependência e não há descrição de síndrome de abstinência se um usuário crônico pára de consumir a droga. Assim como outras drogas alucinógenas, o LSD pode provocar dependência psíquica ou psicológica, uma vez que a pessoa que habitualmente usa essas substâncias como “remédio para os males da vida” acaba por se alienar da realidade do dia-a-dia, aprisionando-se na ilusão do “paraíso na Terra”.  

Consumo no Brasil
Esporadicamente se tem notícias acerca do consumo de LSD no Brasil, principalmente por pessoas das classes mais favorecidas. Embora raramente, a polícia apreende parte das drogas trazidas do exterior. O Ministério da Saúde não reconhece nenhum uso do LSD (e de outros alucinógenos) e proíbe sua produção, comércio e utilização em território nacional.

Maconha

Definição
A maconha (haxixe, erva, baseado) é o nome dado a uma planta conhecida cientificamente como Cannabis sativa. Em outros países é conhecida por diferentes nomes como: THC, Hashishi, Bangh, Ganja, Diamba, Marijuana, Marihiana.

O THC é uma substância química produzida pela planta da maconha, sendo essa a principal responsável pelos efeitos psíquicos da droga no organismo. Atualmente, a quantidade de THC encontrada na maconha é de aproximadamente 4,5%. A concentração de THC na maconha pode variar de acordo com o solo, o clima, a estação do ano, época de colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso (no México existe uma variação genética da maconha, a “sinsemilla” – sem sementes – que pode ter entre 7,5 e 24% de THC).

Assim, a potência da droga pode variar muito, produzindo mais ou menos efeitos. A variação dos efeitos também se dá de acordo com a pessoa usuária, considerando que a reação à droga depende da sensibilidade do organismo do usuário.

As folhas e inflorescências secas da planta podem ser fumadas (por meio de cigarros feitos artesanalmente) ou ingeridas (comumente misturadas em bolos e doces). A maconha também pode ser consumida por meio de uma pasta semi-sólida conhecida como haxixe, obtida a partir de uma grande pressão nas inflorescências, sendo esta forma mais concentrada de THC (até 28%).

Histórico
Existem referências ao uso da maconha há mais de 12.000 anos. Ao longo do tempo, foi utilizada com fins medicinais, pelo seu efeito de produzir risos e suas fibras utilizadas para confecção de cordas e roupas. Entre 2.000 e 1.400 a.C. foi descoberto seu efeito euforizante na Índia, onde foi utilizado com fins medicinais como: estimular apetite, curar doenças venéreas e induzir o sono.   

A cannabis foi introduzida na Medicina Ocidental no século XIX, chegando ao seu ápice em sua última década. Porém, no início do século XX esse uso diminuiu, especialmente pela variedade de potenciais da droga, sendo difícil o controle de sua dosagem.

A partir de 1965, o interesse científico pela maconha ressurgiu por terem conseguido identificar a estrutura química dos componentes da droga, possibilitando a obtenção dos mesmos puros. Nos anos 90, começou a ser identificado usos terapêuticos os quais estão sendo comprovados por estudos científicos.

A maconha foi trazida ao Brasil pelos escravos como uma forma de ligação com a terra natal. Foi cultivada com finalidade têxtil, inicialmente, sendo logo descoberto seus efeitos perturbadores e usados para tal. Na década de 1930, iniciou-se uma fase de repressão contra o uso da maconha no Brasil, sendo em 1933 feitos os primeiros registros de prisões pelo comércio ilegal de maconha. Em 1938, o Decreto-Lei nº. 891 do Governo Federal proibiu totalmente o plantio, cultivo, colheita e exploração por particulares da maconha, em todo território nacional.

Ao longo dos anos, foram sendo feitas seleções das espécies de plantas de maconha com maior concentração de THC: em 1960 o teor médio de THC era 1,5%; em 1980 variava de 3 a 3,5%; e em 1990 a média chegou a 4,5%.

Atualmente, graças às pesquisas recentes, a maconha, ou substâncias dela extraídas, é reconhecida como medicamento em pelo menos duas condições clínicas: reduz ou elimina náuseas e vômitos produzidos por medicamentos anticâncer e tem efeito benéfico em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões ou “ataques”). Entretanto, é bom lembrar que a maconha (ou as substâncias extraídas da planta) tem também efeitos indesejáveis que podem ser prejudiciais.

Mecanismo de Ação
O THC é metabolizado no fígado gerando um metabólito (produto da metabolização da substância) mais potente que ele próprio. Além disso, o THC é muito lipossolúvel (solúvel em lipídios – gordura, e não em água) ficando armazenado no tecido adiposo. Essas características do THC levam a um prolongamento do efeito deste no organismo.  

Quando fumada, a maconha atinge seu efeito entre zero e dez minutos e tem seu pico de ação após 30 minutos do consumo por se concentrar no cérebro. Após 45 a 60 minutos do consumo da substância seus efeitos são atenuados. Pela liberação do THC por meio do tecido adiposo ser lenta, ele aparece na urina de semanas há meses após o último uso.

Efeitos no Organismo
Os efeitos provocados pelo THC no sistema nervoso central dependem da dose consumida, da experiência, da expectativa e do ambiente. Os efeitos esperados são: leve estado de euforia, relaxamento, melhora da percepção para música, paladar e sexo, prolonga a percepção de tempo, risos imotivados, devaneios e fica mais falante.  

No resto do corpo os efeitos são: vermelhidão nos olhos (hiperemia conjuntival), diminuição da produção de saliva (boca seca) e taquicardia (frequência superior ou igual a 140 batimentos por minuto).O THC tem um efeito orexígeno no apetite, ou seja, aumento de apetite. Não há registro de morte por intoxicação por consumo de maconha, visto que sua dose letal é 1.000 vezes maior que a usual.

Consequências Negativas
O uso crônico de maconha está associado a problemas respiratórios, visto que a fumaça é muito irritante, seu teor de alcatrão é muito alto (maior que do tabaco) e contém benzopireno, substância cancerígena. Outras consequências do fumo, semelhantes ao tabaco, são: hipertensão, asma, bronquite, cânceres, doenças cardíacas e doenças crônicas obstrutivas aéreas. Há consequências também na fertilidade do homem por haver uma queda de 50 a 60% na produção de testosterona.  

A maconha tem como efeito mais comum o bem-estar, porém, ocasionalmente traz um desconforto acompanhado de uma ansiedade intensa e idéias de perseguição. Mais raramente pode haver alucinações. Há também, os ocasionais flashbacks que consistem em sintomas da intoxicação após a interrupção do uso.
Pode haver também, no caso de pessoas com transtornos psicóticos pré-existentes uma exacerbação do quadro, como a esquizofrenia, exigindo mudanças no tratamento da doença psiquiátrica.

Esse psicotrópico, quando usado regularmente, traz problemas cognitivos como o prejuízo na memória e na habilidade de resolver problemas, comprometendo seu rendimento intelectual. Pode gerar a síndrome amotivacional, caracterizada por problemas de atenção e motivação.
A tolerância é observada apenas em casos de consumo elevado da substância. Quanto à dependência, 10% dos usuários crônicos apresentam a fissura (desejo intenso pela droga) e centralidade na droga.

Já a abstinência, também observada em usuários crônicos e em altas doses, é caracterizada por: ansiedade, insônia, perda de apetite, tremor das mãos, sudorese, reflexos aumentados, bocejos e humor deprimido.

Ópio e Morfina

Definição
As substâncias chamadas de drogas opiáceas ou simplesmente opiáceos são aquelas obtidas do ópio. Os opiáceos são substâncias extraídas de uma planta chamada popularmente de papoula (Papaver somniferum), que depois de cortada elimina um líquido leitoso branco, semelhante a um suco, que ao secar passa a ser chamado de ópio, daí o nome opiáceo.

Podem ser opiáceos naturais quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, codeína) ou opiáceos semi-sintéticos quando são resultantes de modificações parciais das substâncias naturais (como é o caso da heroína que é obtida da morfina por meio de uma pequena modificação química).

A palavra opióide é usada para nos referirmos às substâncias produzidas pelo nosso organismo (como as endorfinas, encefalinas e dinorfinas,) que agem ligando-se aos receptores opióides endógenos. Alguns autores usam o termo opióide também para se referir as substâncias totalmente sintéticas, fabricadas em laboratório e que não são derivadas do ópio, como é o caso da meperidina, do propoxifeno e da metadona, que são chamadas de opióides (isto é, semelhantes aos opiáceos). Todas elas têm um efeito analgésico (tiram a dor) e um efeito hipnótico (dão sono). Por ter estes dois efeitos estas drogas são também chamadas de narcóticas.

Os opiáceos são drogas com grande importância na Medicina, pois são poderosos analgésicos. Entretanto, também são usados como drogas de abuso, e sua dependência pode se instalar rapidamente.

Histórico
O ópio foi largamente utilizado na antiga civilização mediterrânea, tanto que estatuetas encontradas com mais de três mil anos representavam deusas sacerdotisas com papoula (flor do ópio) desenhadas na testa. Os Sumerianos (atual Irã) utilizavam a papoula de ópio, que era a "planta da alegria", para ter contato com os deuses há 4.000 a.C. Posteriormente o ópio era livremente cultivado por camponeses europeus (1.500 d.C.). Em 1776, o uso do ópio foi amplamente incentivado na guerra civil americana para aliviar a dor. E em 1814 a morfina foi sintetizada a partir do ópio sendo utilizada como meio anestésico. Logo surgiram os efeitos colaterais desta substância.   

Na história dos opiáceos existem algumas datas importantes:
1803 – a morfina foi isolada do ópio por Frederick Serturner;
1832 – a codeína foi extraída do ópio;
1874 – primeira vez que a heroína foi produzida a partir da morfina;
1898 – a Bayer Company produz a heroína como substituto da morfina;
1922 – foi restringida a importação do ópio, exceto para uso medicinal;
1924 – a fabricação e posse de heroína tornou-se ilegal.

Mecanismo de Ação
Todas as drogas tipo opiáceo ou opióide têm basicamente os mesmos efeitos no sistema nervoso central: diminuem sua atividade. As diferenças ocorrem mais em sentido quantitativo. Todas essas drogas produzem anestesia e hipnose (aumentam o sono), daí receberam também o nome de narcóticos, que são as drogas capazes de produzir esses dois efeitos: sono e diminuição da dor.

Por isso, recebem também o nome de drogas hipnoanalgésicas. Para algumas drogas a dose necessária para esse efeito é pequena, ou seja, são bastante potentes, como a morfina e a heroína.

Em geral, as pessoas que usam essas substâncias sem indicação médica, procuram efeitos característicos de uma depressão geral do cérebro: um estado de torpor, como isolamento da realidade do mundo, calmaria na qual realidade e fantasia se misturam, afeto meio embotado e se paixões.

Efeitos no Organismo
As pessoas sob ação dos narcóticos apresentam contração acentuada da pupila dos olhos (miose), que às vezes chegam a ficar do tamanho da cabeça de um alfinete. Há também uma paralisia do estômago e o indivíduo sente-se empachado, com o estômago cheio, como se não fosse capaz de fazer a digestão. Os intestinos também ficam paralisados e, como consequência, a pessoa que abusa dessas substâncias, geralmente apresenta forte prisão de ventre. É com base nesse efeito que os opiáceos são utilizados para combater as diarréias, ou seja, são usados terapeuticamente como antidiarréicos.  

Além desses os outros efeitos são: 
• Analgesia (reduz ou elimina a sensação de dor);
• Deprime o centro da tosse (por isso é usado em xaropes);
• Sonolência;
• Bradicardia (diminuição da frequência cardíaca);
• Bradipnéia (diminuição da frequência respiratória);
• Hipotensão arterial (diminuição da pressão);
• Acalmia: estado de serenidade, calma momentânea após um período de agitação (efeito buscado pelas pessoas que fazem abuso dos opiáceos);
• Hipotensão arterial severa;
• Coceira, náusea e vômito;
• Constipação, enfraquecimento dos dentes;
• Dificuldade de concentração e de se lembrar das coisas;
• Redução do desejo e do desempenho sexual;
• Dificuldades de relacionamento;
• Problemas profissionais e financeiros, violações da lei;
• Tolerância e dependência, sintomas de abstinência;
• Overdose e morte por insuficiência respiratória.

Consequências Negativas
Os narcóticos usados por meio de injeções, ou em doses maiores por via oral, podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. A pessoa perde a consciência e fica com uma cor meio azulada, porque a respiração muito fraca quase não oxigena mais o sangue e a pressão arterial cai a ponto de o sangue não mais circular normalmente: é o estado de coma que, se não tiver o atendimento necessário, pode levar à morte.

Literalmente, centenas ou mesmo milhares de pessoas morrem todo ano na Europa e nos Estados Unidos intoxicadas por heroína ou morfina. Além disso, como muitas vezes esse uso é feito por injeção com frequência, os dependentes acabam também por adquirir infecções como hepatites ou mesmo AIDS. No Brasil, uma dessas drogas foi utilizada com alguma frequência por injeção venosa: é o propoxifeno (principalmente o Algafan®). Acontece que essa substância é muito irritante para as veias, que se inflamam e chegam a ficar obstruídas. Houve muitos casos de pessoas com sérios problemas de circulação nos braços por causa disso. Houve mesmo descrição de amputação desse membro devido ao uso crônico de Algafan®. Felizmente, esse uso irracional do propoxifeno não ocorre mais no País. 
Além disso, o organismo humano torna-se tolerante a todas essas drogas narcóticas. Ou seja, como o dependente não consegue mais se equilibrar sem sentir seus efeitos, ele precisa tomar doses cada vez maiores.

Dependência e síndrome de abstinência
Outro problema com essas drogas é a facilidade com que levam à dependência, tornando-se o centro da vida dessas pessoas. E quando esses dependentes, por qualquer motivo, param de tomar a droga, ocorre um violento e doloroso processo de abstinência, com náuseas e vômitos, diarréia, cãibras musculares, cólicas intestinais, lacrimejamento, corrimento nasal etc., que pode durar de 8 a 12 dias.

A dependência dos opiáceos se instala com certa facilidade, porém, isso não justifica o cuidado excessivo de muitos médicos ao prescrever esses medicamentos. A morfina é um dos poucos medicamentos que abranda a dor e o sofrimento provocados pelo câncer e pela AIDS. Nesses casos, muitos pacientes sofrem desnecessariamente por falta do uso dos opiáceos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou o Brasil, mais de uma vez, pelo baixo consumo desses medicamentos nos casos de doenças que causam dores intensas.

Consumo no Brasil
De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil – estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – mostrou as estimativas de uso na vida de Analgésicos opiáceos. As porcentagens estão de aproximadamente 1,3%, o que equivaleria a uma população de 668.000 pessoas. Em todas as faixas etárias, houve predomínio de uso na vida por mulheres em relação aos homens.

Solventes ou Inalantes

Definição
A palavra solvente significa substância capaz de dissolver coisas, e inalante é toda substância que pode ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração pelo nariz ou pela boca.

Em geral, todo solvente é uma substância altamente volátil, ou seja, evapora-se naturalmente, por esse motivo pode ser facilmente inalado. Outra característica dos solventes ou inalantes é que muitos deles (mas não todos) são inflamáveis.

Um número enorme de produtos comerciais, como esmaltes, colas, tintas, tíneres, propelentes, gasolina, removedores, vernizes etc., contém esses solventes. Eles podem ser aspirados de forma involuntária (por exemplo, trabalhadores de indústrias de sapatos ou de oficinas de pintura, o dia inteiro expostos ao ar contaminado por essas substâncias) ou voluntariamente (por exemplo, crianças em situação de rua que cheiram cola de sapateiro, o menino que cheira em casa acetona ou esmalte).

Todos esses solventes ou inalantes são substâncias pertencentes a um grupo químico chamado de hidrocarbonetos, como o tolueno, xilol, n-hexano, acetato de etila, tricloroetileno etc. Para exemplificar, eis a composição de algumas colas de sapateiro vendidas no Brasil.

Um produto muito conhecido no Brasil é o “cheirinho” ou “loló”, também conhecido como “cheirinho da loló”. Trata-se de um preparado clandestino à base de clorofórmio e éter, utilizado somente para fins de abuso.

Mas já se sabe que, quando esses “fabricantes” não encontram uma daquelas duas substâncias, eles misturam qualquer outra coisa em substituição. Assim, em relação ao “cheirinho da loló” não se conhece bem sua composição, o que complica quando se tem casos de intoxicação aguda por essa mistura.

É importante chamar a atenção para o lança-perfume. Esse nome designa inicialmente aquele líquido que vem em tubos e que se usa no carnaval. À base de cloreto de etila ou cloretila, é proibida sua fabricação no Brasil e só aparece nas ocasiões de carnaval, contrabandeada de outros países sul-americanos. Mas cada vez mais o nome lança-perfume é também utilizado para designar o “cheirinho da loló”.

Histórico
Os solventes começam a ser utilizados como droga de abuso por volta de 1960 nos Estados Unidos. No Brasil, o uso de solventes aparece no período de 1965-1970.  

O clorofórmio e o éter chegaram a servir como drogas de abuso em outros tempos e depois seu uso foi praticamente abandonado. No Brasil, o hábito voltou com os lança-perfumes trazidos da Argentina. O clorofórmio é conhecido desde 1847 como anestésico, mas foi abandonado porque surgiram anestésicos mais eficientes e seguros. Assim também ocorreu com o éter. Há referências ao abuso do éter como substituto do álcool durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha.

Por volta de 1960, os lança-perfumes, que eram feitos de Cloreto de Etila, começaram a ser aspirados para dar sensação de torpor, tontura e euforia. O Quelene, anestésico local, formava par com o lança-perfume e era empregado fora das épocas de carnaval, quando a disponibilidade dos lança-perfumes era menor. Por volta de 1965, o governo brasileiro proibiu a fabricação dos lança-perfumes e do Quelene. Contudo, começou a surgir referências ao retorno do uso de lança-perfumes, só que como um produto à base de clorofórmio e éter.

Mecanismo de Ação
Assim como ocorre com o álcool, os solventes são substâncias que têm efeito bifásico, ou seja, causam uma excitação inicial, seguida por depressão do funcionamento cerebral, que dependerá da dose inalada.

Após a inalação, os solventes alcançam os alvéolos e capilares pulmonares e são distribuídos pelas membranas lipídicas do organismo. O pico plasmático é atingido entre 15 a 30 minutos. O metabolismo é variável: nitratos e hidrocarbonetos aromáticos são metabolizados pelo sistema hepático microssomal. Alguns solventes possuem metabólitos ativos mais potentes que a substância inicial. A eliminação pode ser renal ou pulmonar.

Praticamente todos os inalantes, com exceção dos nitritos, produzem efeitos prazerosos e depressores do Sistema nervoso central. O Tolueno, substância encontrada em produtos como tintas, colas e removedores, parece agir ativando o sistema dopaminérgico. Este sistema neural se relaciona à dependência. É responsável pela sensação de prazer associada ao consumo da droga, bem como a outros comportamentos naturalmente gratificantes como comer, fazer sexo e saciar a sede.

Por outro lado, os Nitritos, conhecidos também como “poppers” e atualmente fabricados com a finalidade de limpeza de roupas e utensílios e desodorização de ambientes, produz o efeito de dilatação e relaxamento dos vasos sanguíneos e são utilizados como droga de abuso para  melhor o desempenho sexual.

Efeitos no Organismo
O início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido – de segundos a minutos no máximo – e em 15 a 40 minutos já desaparecem. Assim, o usuário repete as aspirações várias vezes para que as sensações durem mais tempo.

Os efeitos dos solventes vão desde uma estimulação inicial até depressão, podendo também surgir processos alucinatórios. Vários autores dizem que os efeitos dos solventes (quaisquer que sejam) lembram os do álcool, entretanto, este não produz alucinações, fato bem descrito para os solventes.

Entre os efeitos, o predominante é a depressão, principalmente a do funcionamento cerebral. De acordo com o aparecimento desses efeitos, após inalação de solventes, foram divididos em quatro fases:
 
Primeira fase:
 a chamada fase de excitação, que é a desejada, pois a pessoa fica eufórica, aparentemente excitada, sentindo tonturas e tendo perturbações auditivas e visuais. Mas podem também aparecer náuseas, espirros, tosse, muita salivação e as faces podem ficar avermelhadas.
 
Segunda fase: a depressão do cérebro começa a predominar, ficando a pessoa confusa, desorientada, com a voz meio pastosa, visão embaçada, perda do autocontrole, dor de cabeça, palidez; ela começa a ver ou a ouvir coisas.
 
Terceira fase: a depressão aprofunda-se com redução acentuada do estado de alerta, incoordenação ocular (a pessoa não consegue mais fixar os olhos nos objetos), incoordenação motora com marcha vacilante, fala “enrolada”, reflexos deprimidos, podendo ocorrer processos alucinatórios evidentes.
       
Quarta fase: depressão tardia, que pode chegar à inconsciência, queda da pressão, sonhos estranhos, podendo ainda a pessoa apresentar surtos de convulsões (“ataques”). Essa fase ocorre com frequência entre aqueles “cheiradores” que usam saco plástico e, após certo tempo, já não conseguem afastá-lo do nariz e, assim, a intoxicação torna-se muito perigosa, podendo mesmo levar ao coma e à morte. 
Finalmente, sabe-se que a aspiração repetida, crônica, dos solventes pode levar à destruição de neurônios (células cerebrais), causando lesões irreversíveis no cérebro. Além disso, pessoas que usam solventes cronicamente apresentam-se apáticas, têm dificuldade de concentração e déficit de memória.

Consequências Negativas
Os solventes praticamente não agridem outros órgãos, a não ser o cérebro. Entretanto, existe um fenômeno produzido pelos solventes que pode ser muito perigoso. Estes tornam o coração humano mais sensível a uma substância que o nosso corpo fabrica, a adrenalina, que faz o número de batimentos cardíacos aumentar.

A adrenalina é liberada toda vez que temos de exercer um esforço extra, como, correr, praticar certos esportes etc. Assim, se uma pessoa inala um solvente e logo depois faz esforço físico, seu coração pode sofrer, pois ele está muito sensível à adrenalina liberada por causa do esforço. A literatura médica já cita vários casos de morte por arritmia cardíaca (batidas irregulares do coração), principalmente de adolescentes.

Os solventes quando inalados cronicamente podem levar a lesões da medula óssea, dos rins, do fígado e dos nervos periféricos que controlam os músculos. Por exemplo, verificou-se, em outros países, que em fábricas de sapatos ou oficinas de pintura, os operários, com o tempo, acabavam por apresentar doenças renais e hepáticas. Em decorrência disso, nesses países passou a vigorar uma rigorosa legislação sobre as condições de ventilação dessas fábricas, e o Brasil também tem leis a respeito.

Em alguns casos, principalmente quando existe no solvente uma impureza, o benzeno, mesmo em pequenas quantidades, pode levar à diminuição de produção de glóbulos brancos e vermelhos pelo organismo.

Um dos solventes mais utilizados nas nossas colas é o n-hexano. Essa substância é muito tóxica para os nervos periféricos, produzindo degeneração progressiva, a ponto de causar transtornos no andar (as pessoas acabam andando com dificuldade, o chamado “andar de pato”), podendo até chegar à paralisia. Há casos de usuários crônicos que, após alguns anos, só podiam se locomover em cadeira de rodas.

Outras razões associadas a mortes provocadas por inalantes são: sufocamento – acidentes com o uso de saco plástico, pois no momento da inalação a pessoa coloca o saco plástico na cabeça e pode se sufocar; quedas – os solventes provocam vertigens e tonturas, podendo levar a quedas e atropelamentos, devido à incoordenação motora e ao prejuízo de reflexos.

►Dependência 
A dependência entre aqueles que abusam cronicamente de solventes é comum, sendo os componentes psíquicos da dependência os mais evidentes, tais como desejo de usar a substância, perda de outros interesses que não seja o solvente.

A síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, está presente na interrupção abrupta do uso dessas drogas, sendo comum ansiedade, agitação, tremores, cãibras nas pernas e insônia.

Pode surgir tolerância à substância, embora não tão dramática em relação a outras drogas (como as anfetaminas, que os dependentes passam a tomar doses 50-70 vezes maiores que as iniciais). Dependendo da pessoa e do solvente, a tolerância instala-se ao fim de um a dois meses.

►Consumo durante a gestação 
O consumo de solventes durante a gestação aumenta os riscos de prematuridade, morte pré-natal, anormalidades no crescimento e quadros semelhantes à síndrome alcoólica fetal (microcefalia, malformações faciais, cardiovasculares, ósseas e renais). Não há informações definitivas a respeito do potencial carcinogênico dos solventes sobre os seres humanos.

Consumo no Brasil
De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos - revelou que o total de usuários de Solventes foi bem maior para o sexo masculino (10,3%) do que para o feminino (3,3%).

A maior prevalência masculina ocorreu em todas as faixas etárias com exceção daquela de 12 – 17 anos. A maior quantidade de entrevistados relatando uso na vida ocorreu na faixa etária de 18 – 24 anos.

O número de dependentes, segundo os critérios do SAMHSA, foi de 0,23% dos entrevistados, sendo 0,27% entre os homens e 0,20% para as mulheres. Na faixa etária de 12 – 17 anos, a porcentagem atingiu 0,81%.

Tabaco, Tranquilizantes ou Ansiolíticos (Benzodiazepínicos)

TABACO

Definição
O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana tabacum, da qual é extraída uma substância de efeito estimulante chamada nicotina. Além desta, o tabaco possui mais de 4.700 substâncias.

O tabaco pode ser usado de diferentes formas: inalado por meio de cigarro, charuto, cigarro de palha e cachimbo; aspirado por meio de rapé; mascado por meio de fumo-de-rolo. Todas as formas de consumo geram algum tipo de prejuízo ao organismo do usuário.

O cigarro é composto pelo tabaco em forma ácida, assim o usuário precisa tragar para que a nicotina seja absorvida pelos pulmões. Já o cachimbo e o charuto são constituídos por uma forma alcalina do tabaco, a qual permite que a nicotina seja absorvida pela mucosa bucal, sem a necessidade de tragar.

O cigarro e o charuto são compostos pelas mesmas substâncias, porém os fumantes de charuto possuem taxas de monóxido de carbono mais altas e saturação de oxigênio no sangue menor que os fumantes de cigarro.

A fumaça gerada pela queima do tabaco é composta por aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas, dentre elas o monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído e partículas de nicotina e alcatrão.

O alcatrão é um composto de mais de 40 substâncias cancerígenas, gerado pela combustão de derivados do tabaco, como: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, resíduos de agrotóxicos, substâncias radioativas, como o Polônio 210, acetona, naftalina e até fósforo P4/P6, substâncias usadas para veneno de rato.

A nicotina é uma substância psicoativa de produção e comércio lícitos, mas a venda para menores de 18 anos é proibida por lei. Fumar também gera dependência.
O monóxido de carbono (CO) tem afinidade com a hemoglobina (Hb) presente nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo. A ligação do CO com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, o qual prejudica a oxigenação sanguínea e, consequentemente, de alguns órgãos, causando doenças como a aterosclerose (doença inflamatória crônica nos vasos sanguíneos).

O narguilé é um cachimbo d’água típico do Oriente Médio utilizado para fumar o tabaco. Para preparar o fumo, são utilizadas folhas secas de tabaco, melado e essência de frutas, que não anulam os malefícios da planta. A quantidade de metais pesados – chumbo, níquel, cádmio, benzopireno – é mais alta nessa mistura do que em outras, tornando-a cancerígena.

Além disso, a fumaça ambiental do cachimbo d’água é bem mais tóxica que a do cigarro pela diferença de temperatura da brasa de cada um. A do narguilé tem 400ºC enquanto a do cigarro tem 900ºC, fazendo com que no primeiro a queima do tabaco seja incompleta, sobrando mais substâncias tóxicas na fumaça.

Histórico
O tabaco começou a ser utilizado aproximadamente no ano 1000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágico-religiosos, com o objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos guerreiros. Além disso, esses povos acreditavam que essa substância tinha o poder de predizer o futuro. A planta chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos tupi-guaranis.

A partir do século XVI, seu uso foi introduzido na Europa, por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, após ter-lhe cicatrizado uma úlcera na perna, até então incurável. No início, utilizado com fins curativos, por meio do cachimbo difundiu-se rapidamente, atingindo Ásia e África no século XVII. No século seguinte, surgiu a moda de aspirar rapé, ao qual foram atribuídas qualidades medicinais, pois a rainha da França, Catarina de Médicis, o utilizava para aliviar suas enxaquecas.

No século XIX, surgiu o charuto que veio da Espanha e atingiu toda a Europa, Estados Unidos e demais continentes, sendo utilizado para demonstração de ostentação. Por volta de 1840 a 1850, surgiram as primeiras descrições de homens e mulheres fumando cigarros, porém, somente após a I Guerra Mundial (1914 a 1918), seu consumo apresentou grande expressão.

Seu uso espalhou-se por todo o mundo a partir de meados do século XX, com a ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing que se desenvolveram nessa época. A partir da década de 1960, surgiram os primeiros relatórios científicos que relacionaram o cigarro ao adoecimento do fumante, e hoje existem inúmeros trabalhos comprovando os malefícios do tabagismo à saúde do fumante e do não-fumante exposto à fumaça do cigarro.

Atualmente, o fumo é cultivado em todas as partes do mundo e é responsável por uma atividade econômica que envolve milhões de dólares. Apesar dos males que o hábito de fumar provoca, a nicotina é uma das drogas mais consumidas no mundo.

Legislação

Tratado Mundial Antitabagista
Os 192 Estados membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovaram em 21 de maio de 2003, oficialmente a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, um tratado internacional que visa “proteger a população mundial e suas gerações futuras das devastadoras consequências do consumo de tabaco”, na 56ª Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra.

O objetivo da convenção da OMS foi diminuir a mortalidade causada pelo tabagismo e limitar a publicidade de produtos de tabaco. O texto aprovado prevê o banimento ou restrição da propaganda tabagista, introduz alerta de saúde mais incisivos e controle do uso de expressões como "light" em embalagens de cigarros. O documento também trata de medidas de proteção aos fumantes passivos e de combate ao contrabando.

Principais pontos do tratado da OMS sobre o tabagismo: 
• O tratado reconhece que o consumo e a exposição à fumaça do tabaco causam morte, doenças e incapacidade física;
• Alerta para o aumento do número de fumantes entre crianças e adolescentes sob a ação de publicidade dirigida;
• Denuncia que os cigarros são desenvolvidos para criar e manter a dependência do usuário;
• Prevê que políticas de preços e impostos dos produtos derivados de tabaco sejam implementadas a fim de reduzir o consumo;
• Os fumantes passivos devem ser protegidos da exposição ao produto em ambientes de trabalho e públicos fechados;
• As embalagens não podem promover os produtos pela utilização de expressões como "suave", "baixo teor de alcatrão", "light" ou "ultra-light";
• As advertências sobre os males que o produto causa à saúde devem ocupar entre 30% e 50% de cada embalagem, e devem incluir imagens.

Lei 9.294
A Lei 9.294, aprovada em 15 de julho de 1996 dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas. Essa lei proibiu o uso de cigarros ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente, incluindo as repartições públicas, os hospitais e postos de saúde, as salas de aula, as bibliotecas, os recintos de trabalho coletivo, as salas de teatro, cinema, as aeronaves e demais veículos de transporte coletivo.

Com a lei, a propaganda comercial desses produtos só é efetuada através de pôsteres, painéis e cartazes, na parte interna dos locais de venda com determinados ajustes como não sugerir o consumo exagerado ou irresponsável, nem fazer associação a celebrações cívicas ou religiosas. Além de não induzir as pessoas ao consumo, atribuindo aos produtos propriedades calmantes ou estimulantes, que reduzam a fadiga ou a tensão, não associar idéias ou imagens de maior êxito na sexualidade das pessoas, não associar o uso à prática de atividades esportivas, olímpicas ou não, nem sugerir seu consumo em locais ou situações perigosas, abusivas ou ilegais.

Deve conter na propaganda nos meios de comunicação, advertência escrita e/ou falada sobre os malefícios do fumo, através das seguintes frases, usadas sequencialmente, de forma simultânea ou rotativa, precedidas da afirmação "O Ministério da Saúde Adverte":

• fumar pode causar doenças do coração e derrame cerebral;
• fumar pode causar câncer do pulmão, bronquite crônica e enfisema pulmonar;
• fumar durante a gravidez pode prejudicar o bebê;
• quem fuma adoece mais de úlcera do estômago;
• evite fumar na presença de crianças;
• fumar provoca diversos males à sua saúde.

Também são proibidos o patrocínio de atividade cultural ou esportiva, a propaganda fixa ou móvel em estádio, pista, palco ou local similar, a comercialização em estabelecimento de ensino, de saúde e em órgãos ou entidades da Administração Pública e a venda a menores de dezoito anos.

Mecanismo de Ação
Quando o fumante dá uma tragada, a nicotina é absorvida pelos pulmões, chegando ao cérebro aproximadamente em nove segundos. Os principais efeitos da nicotina no sistema nervoso central consistem em: elevação leve no humor (estimulação) e diminuição do apetite.

A nicotina é considerada um estimulante leve, apesar de um grande número de fumantes relatar sensação de relaxamento quando fumam. Essa sensação é provocada pela diminuição do tônus muscular. Menciona-se, também, aumento de concentração e de atenção.

Efeitos no Organismo
A nicotina é um psicotrópico que gera dependência, por isso, o tabagismo é classificado pelo Código Internacional de Doenças (CID-10) como um transtorno mental e de comportamento pelo uso da substância.

A nicotina produz um pequeno aumento no batimento cardíaco, na pressão arterial, na frequência respiratória e na atividade motora. Quando uma pessoa fuma um cigarro, a nicotina é imediatamente distribuída pelos tecidos.

No sistema digestivo, provoca diminuição da contração do estômago, dificultando a digestão. Além disso, estimula no aparelho gastrointestinal a produção de ácido clorídrico, o que pode causar úlcera gástrica.

Essa droga, no organismo, aumenta a liberação de catecolaminas, as quais são responsáveis pela vasoconstricção, hipertensão arterial e aumento da frequência cardíaca.

A nicotina juntamente com o monóxido de carbono, provoca diversas doenças cardiovasculares, como: infarto, acidente vascular cerebral e morte-súbita. Também desencadeia a liberação de substâncias quimiotaxias no pulmão, o que estimula um processo de destruição da elastina (proteína responsável pela expansão e contração do pulmão), provocando o enfisema pulmonar.

Consequências Negativas
O uso intenso e constante de cigarros aumenta a probabilidade de ocorrência de algumas doenças, como: pneumonia, câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, boca, estômago), infarto de miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, derrame cerebral e úlcera digestiva.

Entre outros efeitos tóxicos provocados pela nicotina, podemos destacar, ainda, náuseas, dores abdominais, diarréia, vômitos, cefaléia, tontura, braquicardia, fraqueza e impotência sexual nos homens.

O uso intenso e constante de tabaco pode provocar  ainda o desenvolvimento de tolerância, ou seja, a pessoa tende a consumir um número cada vez maior de cigarros para sentir os mesmos efeitos que, originalmente, eram produzidos por doses menores.

Alguns fumantes, quando suspendem repentinamente o consumo de cigarros, podem sentir fissura (desejo intenso de fumar), irritabilidade, agitação, prisão de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de cabeça. Esses sintomas caracterizam a síndrome de abstinência, desaparecendo dentro de uma ou duas semanas.

A tolerância e a síndrome de abstinência são alguns dos sinais que caracterizam o quadro de dependência provocado pelo uso do tabaco.

Tabaco e Gravidez
O uso do tabaco tem vários efeitos sobre as funções reprodutivas incluindo redução de fertilidade, prejuízo do desenvolvimento fetal, maior risco de gravidez ectópica (gravidez fora do útero, na trompa de falópio) e aborto espontâneo.

Quando uma mulher fuma durante a gravidez, “o feto também fuma”, recebendo as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. A nicotina provoca aumento do batimento cardíaco no feto, redução de peso no recém-nascido, menor estatura, além de alterações neurológicas importantes. Durante a amamentação, as substâncias tóxicas do cigarro são transmitidas para o bebê pelo leite materno.

Fumantes Passivos
Os fumantes não são os únicos expostos à fumaça do cigarro, pois os não-fumantes também são agredidos por ela, tornando-se fumantes passivos quando expostos a fumaça. Os poluentes do cigarro dispersam-se pelo ambiente, fazendo com que os não fumantes próximos ou distantes dos fumantes inalem também as substâncias tóxicas.

Existem evidências de que os fumantes passivos têm risco maior de desenvolverem doenças relacionadas aos usuários de tabaco. Estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam incidência três vezes maior de infecções respiratórias (bronquite, pneumonia, sinusite) do que filhos de pais não-fumantes.


 

TRANQUILIZANTES E ANSIOLÍTICOS (BENZODIAZEPÍNICOS)

Definição
Existem medicamentos que têm a propriedade de atuar quase que exclusivamente sobre a ansiedade e tensão. Inicialmente, essas drogas foram chamadas de tranquilizantes, por tranquilizar a pessoa estressada, tensa e ansiosa.  

Atualmente, prefere-se designar estes tipos de medicamentos pelo nome de ansiolíticos, ou seja, que "destroem" (lise) a ansiedade. De fato, este é o principal efeito terapêutico destes medicamentos: diminuir ou abolir a ansiedade das pessoas, sem afetar em demasia as funções psíquicas e motoras.

Antigamente, o principal agente ansiolítico era uma droga chamada meprobamato que praticamente desapareceu das farmácias com a descoberta de um importante grupo de substâncias: os benzodiazepínicos. De fato estes medicamentos estão entre os mais utilizados no mundo todo, inclusive no Brasil.

Hoje há mais de 100 medicamentos no País à base desses benzodiazepínicos (BDZ). Estes têm nomes químicos que terminam geralmente pelo sufixo pam. Alguns exemplos de benzodiazepínicos: diazepam, bromazepam, clobazam, clorazepam, estazolam, flurazepam, flunitrazepam, lorazepam, nitrazepam. A exceção é a substância chamada clordizepóxido que também é um benzodiazepínico. Por outro lado estas substâncias são comercializadas pelos laboratórios farmacêuticos com diferentes nomes "fantasia", existindo assim dezenas de remédios com diferentes denominações.

Eles podem ser usados em qualquer idade, respeitando a adequada utilização. O diazepan via oral pode ser usado até em crianças depois dos 6 meses e a via injetável com 30 dias de vida ou mais. Muitos médicos confundem as diversas ações dos BDZs, por exemplo: o uso do bromazepam (ansiolítico) como hipnótico ou antidepressivo. Há de se diferenciar bem o tipo de diagnóstico para se instituir a terapêutica BDZ mais adequada.

Histórico
Em 1957, os trabalhos de Leo Sternbach e Earl Reeder, levaram a síntese do primeiro benzodiazepínico, o clordiaxepóxido. Esta droga foi comercializada em 1961, inaugurando a era dos benzodiazepínicos. Em 1963 é lançado no mercado um medicamento ainda mais potente, o diazepam. Existem hoje mais de 30 tipos de benzodiazepínicos comercializados em todo o mundo.

Mecanismo de Ação
Os Benzodiázepinicos (BZD) possuem receptores específicos no sistema nervoso central (SNC), ligados a receptores gabaérgicos tipo A (GABA-A), com os quais regula a abertura e o fechamento dos canais de íon cloreto, responsáveis pela propagação dos estímulos para os neurônios pós-sinápticos.

A ação dos BZD e do GABA inibe diversos sistemas de neurotransmissão, funcionando como um depressor do SNC.

Efeitos no Organismo
Os ansiolíticos reduzem a atividade em determinadas regiões do cérebro levando a diminuição de ansiedade,  indução de sono, relaxamento muscular; redução do estado de alerta e dificuldade nos processos de aprendizagem e memória.

O uso regular de benzodiazepínicos e de outros sedativos produz ansiedade e depressão, tolerância e dependência. Após um curto período de uso, sintomas significativos de abstinência se manifestam na retirada do seu consumo.

Consequências Negativas
Do ponto de vista orgânico ou físico, os benzodiazepínicos são drogas bastante seguras, pois são necessárias grandes doses (20 a 40 vezes mais altas que as habituais) para trazer efeitos mais graves: a pessoa fica com hipotonia muscular (“moleza), grande dificuldade para ficar em pé e andar, baixa pressão sanguínea e suscetibilidade a desmaios. Mas, mesmo assim, a pessoa dificilmente chega a entrar em coma e morrer.

Contudo, a situação muda caso o indivíduo, além de ter tomado o benzodiazepínico, também tenha ingerido bebida alcoólica. Nesses casos, a intoxicação torna-se séria, pois há grande diminuição da atividade cerebral, podendo levar ao estado de coma.

Outro aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos refere-se ao uso dessas substâncias por mulheres grávidas. Suspeita-se que essas drogas tenham um poder teratogênico razoável, isto é, podem produzir lesões ou defeitos físicos no bebê.

Os benzodiazepínicos quando usados durante alguns meses seguidos podem levar as pessoas a um estado de dependência. Como consequência, sem a droga, o dependente passa a sentir muita irritabilidade, insônia excessiva, sudoração, dor pelo corpo todo, podendo, em casos extremos, apresentar convulsões. Se a dose tomada já é grande desde o início, a dependência ocorre mais rapidamente ainda.

Há também desenvolvimento de tolerância, embora esta não seja muito acentuada, isto é, a pessoa acostumada à droga não precisa aumentar a dose para obter o efeito inicial.

Interações medicamentosas
Os benzodiazepínicos sofrem interações medicamentosas com diversos outros medicamentos comumente utilizados na prática clínica. Estas drogas nunca devem ser administradas com antiácidos, pois o alumínio atrasa o esvaziamento gástrico e torna lenta sua absorção. Drogas como cimetidina, dissulfiram, eritromicina, estrogênios, fluoxetina, inibidor MAOs e isoniazida causam aumento do nível sanguíneo dos benzodiazepínicos. A co-administração de outros depressores do SNC, como anti-histamínicos, barbitúricos, antidepressivos tricíclicos e etanol pode ser perigosa por potencializar seus efeitos.

Consumo no Brasil
De acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil – estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – revelou que o uso de Benzodiázepinicos foi maior entre a faixa etária igual ou maior que 35 anos.

Existe um predomínio nítido para o sexo feminino, quando comparado ao masculino, em todas as faixas etárias.

Em relação à prevalência de dependentes de Benzodiázepinicos, encontrou-se que 0,54% da população estudada preencheu os critérios diagnósticos do SAMHSA e as mulheres (0,77%) com prevalência cinco vezes maior que os homens (0,14%). Por outro lado, a prevalência de mulheres dependentes na faixa etária, 

Xaropes e gotas para tosse

Definição
Os xaropes são formulações farmacêuticas que contêm grande quantidade de açúcares, fazendo com que o líquido fique “viscoso”, “meio grosso” (“xaroposo”). Nesse veículo ou líquido, coloca-se a substância medicamentosa que vai trazer o efeito benéfico desejado pelo médico que a receitou. Assim, existem xaropes para tosse em que o medicamento ativo é a codeína.
Mas também existem outras maneiras de se preparar tais remédios. Em vez de colocá-los em um xarope, faz-se uma solução aquosa, às vezes com um pouco de álcool, tendo-se assim as chamadas gotas para tosse. A substância ativa contida nas gotas geralmente é a codeína.
A codeína está entre os remédios mais ativos para combater a tosse, e por isso é chamada de antitussígena ou béquica. Existe um número muito grande de produtos comerciais à base de codeína são remédios contra tosse que contêm essa substância em suas fórmulas. A codeína é uma substância que vem do ópio, trata-se, dessa maneira, de um opiáceo natural.

Existem ainda muitos xaropes para tratar a tosse que contêm certas plantas em sua fórmula, como o agrião, o guaco etc. Esses medicamentos, chamados de fitoterápicos, não têm os efeitos tóxicos da codeína nem causam dependência.

 Histórico

Alguns pró-fármacos já são conhecidos há muito tempo: a codeína, derivado da morfina isolado no século XIX, é um pró-fármaco, que, no organismo, se converte em morfina para então promover seus efeitos narcóticos. Quando Hoffmann, em 1989, transformou ácido salicílico em ácido acetilsalicílico, diminuindo seus efeitos colaterais, estava utilizando o princípio da latenciação.

O termo pró-fármaco ou pró-agente foi utilizado primeiramente por Albert, em 1958, para descrever compostos que necessitavam de biotransformação prévia para promover efeito farmacológico. Em 1959, Harper propôs o termo latenciação de fármacos para o processo de obtenção de pró-fármacos.

Entretanto, somente em meados da década de 70, quando pesquisadores começaram a traçar os destinos dos fármacos no organismo, compreendendo melhor a absorção, metabolismo, distribuição e excreção, o planejamento de fármacos utilizando o processo de latenciação tomou rumo mais definido.

Mecanismos de Ação
O cérebro humano possui uma área – chamada centro da tosse – que comanda os acessos de tosse. Isto é, toda vez que ele é estimulado há emissão de uma “ordem” para que a pessoa tussa. A codeína é capaz de inibir ou bloquear esse centro da tosse. Mesmo que haja um estímulo para ativá-lo, o centro, estando bloqueado pela droga, não dá mais a “ordem” para a pessoa tossir e a tosse que vinha ocorrendo deixa de existir.
Mas a codeína age em outras regiões no cérebro. Assim, outros centros que comandam as funções dos órgãos são também inibidos. Com a codeína, a pessoa sente menos dor (ela é um bom analgésico), pode ficar sonolenta, a pressão sanguínea, o número de batimentos do coração e a respiração podem diminuir.

Efeitos no organismo
A codeína possui vários efeitos das drogas do tipo opiáceos. Assim, é capaz de contrair a pupila, provocar sensação de má digestão e produzir prisão de ventre. Quando tomada em doses maiores que a terapêutica produz acentuada depressão das funções cerebrais. Como consequência, a pessoa fica apática, a pressão do sangue cai muito, o coração funciona com grande lentidão e a respiração torna-se muito fraca. Desse modo, a pele fica fria (a temperatura do corpo diminui) e meio azulada (“cianose”) por causa da respiração insuficiente. A pessoa pode ficar em estado de coma, inconsciente, e se não for tratada pode morrer.

Consequências Negativas
A codeína leva rapidamente o organismo a um estado de tolerância. Isso significa que a pessoa que vem tomando xarope à base de codeína, por “vício”, acaba por aumentar cada vez mais a dose diária. Assim, não é incomum saber-se de casos de pessoas que tomam vários vidros de xaropes ou de gotas para continuar sentindo os mesmos efeitos. E se elas deixam de tomar a droga, estando já dependentes, surgem os sintomas da chamada síndrome de abstinência. Calafrios, cãibras, cólicas, coriza, lacrimejamento, inquietação, irritabilidade e insônia são os sintomas mais comuns de abstinência.