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Xaropes e gotas para tosse

Definição
Os xaropes são formulações farmacêuticas que contêm grande quantidade de açúcares, fazendo com que o líquido fique “viscoso”, “meio grosso” (“xaroposo”). Nesse veículo ou líquido, coloca-se a substância medicamentosa que vai trazer o efeito benéfico desejado pelo médico que a receitou. Assim, existem xaropes para tosse em que o medicamento ativo é a codeína.
Mas também existem outras maneiras de se preparar tais remédios. Em vez de colocá-los em um xarope, faz-se uma solução aquosa, às vezes com um pouco de álcool, tendo-se assim as chamadas gotas para tosse. A substância ativa contida nas gotas geralmente é a codeína.
A codeína está entre os remédios mais ativos para combater a tosse, e por isso é chamada de antitussígena ou béquica. Existe um número muito grande de produtos comerciais à base de codeína são remédios contra tosse que contêm essa substância em suas fórmulas. A codeína é uma substância que vem do ópio, trata-se, dessa maneira, de um opiáceo natural.

Existem ainda muitos xaropes para tratar a tosse que contêm certas plantas em sua fórmula, como o agrião, o guaco etc. Esses medicamentos, chamados de fitoterápicos, não têm os efeitos tóxicos da codeína nem causam dependência.

 Histórico

Alguns pró-fármacos já são conhecidos há muito tempo: a codeína, derivado da morfina isolado no século XIX, é um pró-fármaco, que, no organismo, se converte em morfina para então promover seus efeitos narcóticos. Quando Hoffmann, em 1989, transformou ácido salicílico em ácido acetilsalicílico, diminuindo seus efeitos colaterais, estava utilizando o princípio da latenciação.

O termo pró-fármaco ou pró-agente foi utilizado primeiramente por Albert, em 1958, para descrever compostos que necessitavam de biotransformação prévia para promover efeito farmacológico. Em 1959, Harper propôs o termo latenciação de fármacos para o processo de obtenção de pró-fármacos.

Entretanto, somente em meados da década de 70, quando pesquisadores começaram a traçar os destinos dos fármacos no organismo, compreendendo melhor a absorção, metabolismo, distribuição e excreção, o planejamento de fármacos utilizando o processo de latenciação tomou rumo mais definido.

Mecanismos de Ação
O cérebro humano possui uma área – chamada centro da tosse – que comanda os acessos de tosse. Isto é, toda vez que ele é estimulado há emissão de uma “ordem” para que a pessoa tussa. A codeína é capaz de inibir ou bloquear esse centro da tosse. Mesmo que haja um estímulo para ativá-lo, o centro, estando bloqueado pela droga, não dá mais a “ordem” para a pessoa tossir e a tosse que vinha ocorrendo deixa de existir.
Mas a codeína age em outras regiões no cérebro. Assim, outros centros que comandam as funções dos órgãos são também inibidos. Com a codeína, a pessoa sente menos dor (ela é um bom analgésico), pode ficar sonolenta, a pressão sanguínea, o número de batimentos do coração e a respiração podem diminuir.

Efeitos no organismo
A codeína possui vários efeitos das drogas do tipo opiáceos. Assim, é capaz de contrair a pupila, provocar sensação de má digestão e produzir prisão de ventre. Quando tomada em doses maiores que a terapêutica produz acentuada depressão das funções cerebrais. Como consequência, a pessoa fica apática, a pressão do sangue cai muito, o coração funciona com grande lentidão e a respiração torna-se muito fraca. Desse modo, a pele fica fria (a temperatura do corpo diminui) e meio azulada (“cianose”) por causa da respiração insuficiente. A pessoa pode ficar em estado de coma, inconsciente, e se não for tratada pode morrer.

Consequências Negativas
A codeína leva rapidamente o organismo a um estado de tolerância. Isso significa que a pessoa que vem tomando xarope à base de codeína, por “vício”, acaba por aumentar cada vez mais a dose diária. Assim, não é incomum saber-se de casos de pessoas que tomam vários vidros de xaropes ou de gotas para continuar sentindo os mesmos efeitos. E se elas deixam de tomar a droga, estando já dependentes, surgem os sintomas da chamada síndrome de abstinência. Calafrios, cãibras, cólicas, coriza, lacrimejamento, inquietação, irritabilidade e insônia são os sintomas mais comuns de abstinência.